Quem: Paulo César de Araújo, o “Pagão”, nono maior artilheiro da história do Santos FC.
O que: relembre seu percurso do futebol amador até os títulos mundiais com o Peixe.
Quando: nascido em 27/10/1934, faleceu em 04/04/1991, completaria 91 anos em 2025.
Onde: Santos (SP) foi palco de sua carreira e de seu legado.
Por quê: sua técnica refinada e movimentação fora da área redefiniram o papel do camisa 9 e seguem inspirando gerações na Vila Belmiro.
Da Vila Mathias ao penta estadual: a ascensão de um 9 nada convencional
Formado nas ruas do bairro Vila Mathias, Pagão cruzou a tríplice fronteira santista — Jabaquara, Portuguesa Santista e, por fim, Santos FC — até estrear na goleada por 5 × 0 contra o Guarani em 1955. Embora vestisse a camisa 9, não atuava fixo dentro da área. Com deslocamentos curtos, passes de primeira e dribles curtos (“fintas secas”), abriu brechas para Pelé e Pepe num trio eternizado como PPP.
Raio-X de Pagão
- Jogos pelo Santos: 340
- Gols: 157 (9º na lista histórica do clube)
- Títulos pelo Peixe: 6 Paulistas (1955, 56, 58, 60-62), 2 Taças Brasil (1961-62), Copa Libertadores (1962), Mundial Interclubes (1962), 2 Torneios Rio-São Paulo (1959, 63)
- Média de gols: 0,46 por partida
- Artilharia santista em 1956: 35 gols na temporada
- Clubes profissionais: Jabaquara, Portuguesa Santista, Santos, São Paulo
Impacto tático: a engrenagem invisível do ataque mais famoso dos anos 50
A movimentação de Pagão funcionava como elo entre meio-campo e área. Ao recuar alguns metros, arrastava zagueiros e deixava espaços que Pelé, então em início de carreira, soube explorar. Esse conceito, semelhante ao “falso 9” moderno, antecipou recursos táticos hoje vistos em atacantes de mobilidade como Firmino ou Benzema. Ex-companheiros como Dorval e Coutinho reconheceram seu papel de facilitador: “Suas jogadas ajudaram muito o Pelé no início”, afirmou Dorval.
Legado e reflexo no elenco atual
A cultura ofensiva santista — posse curta, jogo apoiado e atacantes que trocam de posição — tem raízes no período em que Pagão dividiu o vestiário com Lula, Dorval, Pelé e Pepe. Em 2025, jovens formados no CT Rei Pelé, como Marcos Leonardo e Deivid Washington, são orientados a circular fora da área, herança direta daquele modelo. Conhecer a trajetória de Pagão ajuda a entender por que o Santos costuma priorizar atacantes de boa técnica de passe, não apenas finalizadores.
O que vem a seguir: museu, data comemorativa e inspiração para a base
Para outubro de 2025, o Centro de Memória do Santos FC prepara exposição que detalha vídeos restaurados de Pagão, incluindo a campanha do bi da Taça Brasil. A iniciativa coincide com o centenário do clube no profissionalismo e gera conteúdo educativo para a base. Expectativa é que categorias sub-17 e sub-20 recebam palestras sobre movimentação sem bola, usando Pagão como case. Tais ações tendem a fortalecer a identidade histórica e alimentar o engajamento do torcedor nas redes sociais e no estádio urbano dedicado ao craque, o Estádio Municipal Pagão, na Zona Noroeste.
Imagem: Internet
Ao revisitar a carreira de Paulo César de Araújo, o Santos FC não apenas mantém viva a lembrança de um gênio de “canela de vidro”, mas também projeta seu conceito de futebol fluido para as próximas gerações. A expectativa é que o legado de Pagão se transforme em pilar formativo, reforçando a mística de que, na Vila Belmiro, o 9 jamais foi estático — e continuará assim.
Com informações de Centro de Memória do Santos FC