Cardiff (18/06/2024) – A seleção do País de Gales perdeu por 4 x 2 para a Bélgica no Cardiff City Stadium, viu evaporar a chance de classificação direta para a Copa do Mundo de 2026 e, de quebra, aumentou a pressão sobre o técnico Craig Bellamy, agora dependente da repescagem europeia.
Por que a partida era decisiva
A goleada sofrida na última sexta-feira pela Bélgica diante da Macedônia do Norte (0 x 0) abriu caminho para Gales: bastava vencer as três rodadas finais do Grupo J para ultrapassar os belgas e ficar com a vaga direta. O tropeço logo no primeiro jogo deixou o objetivo inalcançável, já que a Bélgica ampliou para 46 partidas de invencibilidade em eliminatórias de Mundiais e Euros – sequência que começou justamente após a derrota por 1 x 0 para Gales em 2015.
O plano de Bellamy: pressão alta e posse
Fiel ao estilo que prometeu desde a estreia, Bellamy manteve a linha de pressão alta, posse agressiva e transições rápidas. A estratégia rendeu oportunidades (dois gols marcados e outras quatro finalizações claras), mas custou caro nos contra-ataques. Jeremy Doku e Kevin De Bruyne exploraram os espaços abertos nas costas dos laterais – cenário que se repetiu na derrota por 4 x 3 em Bruxelas, em junho.
Raio-X estatístico
- Gols sofridos por Gales nos últimos 5 jogos: 12 (média de 2,4 por partida)
- Campanha de Bellamy: 8 jogos invicto na estreia; 4 derrotas nos 5 compromissos seguintes
- Bélgica em qualificatórias (desde 2015): 34 vitórias, 12 empates, 0 derrotas
- Destaques individuais: Doku – 1 gol e 2 assistências; De Bruyne – 1 gol, 5 passes-chave
Impacto na tabela e cenário de repescagem
Com a derrota, Gales não consegue mais alcançar a liderança do grupo. Restam duas partidas para consolidar a segunda colocação e garantir cabeça de chave no play-off, formato semelhante ao de 2022: semifinal e final em jogo único. O chaveamento depende da pontuação no ranking da Liga das Nações, o que torna os últimos resultados — inclusive amistosos — relevantes.
O que muda taticamente?
Bellamy reforçou, em entrevista pós-jogo, que não abrirá mão da abordagem ofensiva. No entanto, a transição defensiva é o ponto crítico identificado: Gales precisa reduzir o espaço entre linhas e controlar mais o momento da perda da bola, sobretudo contra seleções com pontas de velocidade. Ajustes esperados:
Imagem: Internet
- Médio defensivo mais posicional para cobrir laterais avançados;
- Pressão direcionada para o lado oposto a Doku, principal arma belga;
- Rotação de zagueiros para lidar com sobrecarga física após jogos consecutivos.
Próximos passos
A seleção galesa volta a campo em setembro para as duas partidas finais do grupo. O departamento de análise projeta que um aproveitamento mínimo de quatro pontos garante o mando de campo na semifinal da repescagem. Até lá, Bellamy terá três janelas de treinos para ajustar o sistema defensivo sem abdicar da identidade de posse e pressão.
Em síntese, a noite que poderia reeditar os grandes triunfos contra a Bélgica tornou-se um sinal de alerta. A rota para 2026 segue aberta, mas agora sob o formato mais árduo da repescagem — e cada detalhe tático ganhou peso redobrado.
Com informações de BBC Sport