São Paulo (SP), 10/01/2024 – O Palmeiras venceu a concorrência interna com a WTorre e assumirá, a partir de fevereiro de 2026, a gestão completa do tour do Allianz Parque, arena onde manda seus jogos desde 2014. A mudança encerra definitivamente a participação de empresas terceirizadas – como Futebol Tour e Arena Experience – e reforça o momento de sintonia entre clube e construtora após o impasse sobre o gramado no início de 2024.
Do conflito ao alinhamento: como WTorre e Palmeiras viraram a chave
Depois de desentendimentos públicos sobre a troca do gramado sintético – que obrigaram o time a deslocar nove partidas em 2024 –, a relação passou por ajustes contratuais e operacionais. Em 2025, o calendário projetado indica apenas três jogos fora de casa por causa de eventos na arena, o menor número desde a reinauguração. A vitória alviverde na concorrência pelo tour simboliza esse novo estágio de confiança mútua numa parceria que tem contrato de 30 anos, válido até 2044.
O que muda sem intermediários no tour
• Controle total da narrativa – O Palmeiras passa a definir roteiro, conteúdo histórico e ativações de patrocinadores, alinhando a experiência turística à estratégia de marketing do clube.
• Receita direta – Sem taxa de gerenciamento de terceiros, a margem ao clube aumenta, permitindo reinvestimento em melhorias tecnológicas e recursos audiovisuais.
• Visitas em dias de jogo – A grande novidade será a abertura do tour horas antes das partidas, prática comum em arenas europeias que eleva tíquete médio de consumo em food & beverage e loja oficial.
Raio-X: potencial financeiro e de público
Demanda atual – Dados públicos da WTorre indicam média anual de 140 mil visitantes antes da pandemia, retomada para cerca de 110 mil em 2023.
Preço do ingresso – R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia) no roteiro padrão.
Receita bruta estimada – R$ 7,7 milhões/ano com a audiência de 110 mil visitantes; cada 10% de crescimento no público adiciona ~R$ 770 mil ao caixa.
Capacidade da arena – 43 713 lugares; ocupação média de 38 mil pessoas nos jogos de 2023, segundo a CBF.
Sinergia com o Avanti – 167 mil sócios torcedores no último balanço; cruzar base de dados pode ampliar conversão do tour em plano de sócio e produtos licenciados.
Impacto esportivo e de calendário
Menos deslocamentos forçados significam ganho de rotina de treinos na Academia de Futebol e redução de desgaste físico. A temporada 2025 terá apenas três mandos fora, comparados aos nove de 2024 – queda de 66%. Em paralelo, o fluxo regular de visitantes tende a manter o gramado híbrido em condições ótimas, já que o Palmeiras terá mais influência direta na agenda de eventos externos.
Imagem: Staff s
Próximos passos e o que observar
Até 2026, Palmeiras e WTorre trabalham em um período de transição que inclui:
- Integração de bilheteria do tour ao sistema atual do Allianz Parque;
- Reformas pontuais em vestiários e túnel de entrada para adequar fluxo em dias de jogo;
- Capacitação de guias com conteúdo histórico e tático – tendência em grandes clubes europeus.
Conclusão prospectiva – Ao assumir o tour, o Palmeiras não apenas agrega uma nova fonte de receita, mas também fortalece a própria marca, oferecendo experiência imersiva que dialoga com o sucesso esportivo recente. O modelo pode se tornar referência no futebol brasileiro, sobretudo se a abertura em dias de partida elevar o tíquete médio geral da arena. Vale acompanhar a implementação das melhorias ao longo de 2025 e medir o efeito sobre o engajamento do torcedor – fator que pode influenciar até na venda de pacotes de hospitalidade para a Copa do Mundo de 2030, caso o Brasil confirme jogos no Allianz Parque.
Com informações de Nosso Palestra