Quem: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. O que: 85º aniversário de nascimento. Quando: 23 de outubro de 2025. Onde: Três Corações (MG), lembrado em Santos e no mundo. Por quê: revisitar o legado do maior artilheiro da história do Santos FC e da Seleção Brasileira e medir seu impacto permanente nas táticas, nas marcas e na cultura do futebol.
Do menino de Três Corações ao Rei da Vila
Nascido em 1940, Pelé chegou a Santos em julho de 1956, aos 15 anos, levado pelo ex-jogador Waldemar de Brito. Menos de dois meses depois, em 7 de setembro, estreou como profissional e marcou em uma goleada por 7 × 1 sobre o Corinthians de Santo André. O gol foi o primeiro de uma carreira que somaria 1.091 tentos em 1.116 partidas pelo clube, façanha que o consolidou como o maior artilheiro santista de todos os tempos.
Impacto tático: a engrenagem que potencializou o “Ataque dos Sonhos”
A ascensão de Pelé coincidiu com uma guinada tática do Santos no fim dos anos 1950. A presença do camisa 10 permitia ao técnico Lula posicionar a equipe no 2-3-5 ofensivo de transição para um 4-2-4, sistema que influenciaria até a Seleção de 1958. A mobilidade de Pelé atraía marcadores, liberando Dorval e Pepe pelas pontas e articulando tabelas rápidas com Coutinho. O resultado foi um ciclo de seis títulos brasileiros (Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa), duas Libertadores e dois Mundiais.
Raio-X dos números do Rei
Clube: Santos FC (1956-1974) — 1.091 gols / 1.116 jogos
Seleção Brasileira: 95 gols* / 113 jogos oficiais*
Mundiais de Clubes: 7 gols em 5 partidas
Copa do Mundo: tricampeão (1958, 1962, 1970) — 12 gols em 14 jogos
Milésimo gol: 19/11/1969, Maracanã, pênalti contra o Vasco da Gama
*A CBF considera amistosos oficiais até 1990; outras contagens apontam 77 gols em 92 jogos “A”.
O número 10 ganha significado global
Antes de Pelé, a numeração refletia apenas a ordem de escalação. O desempenho do santista elevou o “10” à condição de craque. A iconografia ampliou-se na década de 1970, inspirando gerações futuras — de Zico a Messi. No marketing esportivo, o dígito virou sinônimo de liderança técnica, influenciando contratos de patrocínio e identidade visual de clubes no mundo inteiro.
Legado fora das quatro linhas
Em 1969, durante excursão do Santos, um cessar-fogo informal foi declarado em Biafra (Nigéria) para que facções rivais assistissem ao time de Pelé. O episódio reforçou o poder diplomático do futebol e antecipou a ideia de “soft power” esportivo. Na indústria do entretenimento, Pelé protagonizou filmes, nos quais seu status de celebridade global ajudou a internacionalizar a marca Santos FC e pavimentou as bases do que viria a ser a Major League Soccer, quando se transferiu para o New York Cosmos em 1975.
Imagem: Internet
Próximos passos: memória como ativo competitivo
No curto prazo, o Santos FC planeja ações comemorativas que podem incluir amistosos temáticos, licenciamento de produtos e ativações digitais em parceria com plataformas de streaming. A expectativa é fortalecer a receita de “legacy assets”, área estratégica para clubes que buscam novas fontes de renda em meio a SAFs e ligas independentes. Além disso, a CBF estuda oficializar 2025 como “Ano Pelé” em competições de base, fomentando a formação de jovens atacantes e homenageando o ídolo em todos os estádios do país.
Conclusão: O 85º aniversário de Pelé reafirma como um único jogador pode remodelar não só a tática, mas também a economia e a cultura do futebol. O Santos FC, que nasce e se renova a partir dessa herança, prepara-se para capitalizar a memória do Rei enquanto o esporte global segue referenciando o padrão que ele estabeleceu: gols, títulos e impacto social.
Com informações de Santos Futebol Clube – Centro de Memória