Londres (ING), 11/06/2024 – A Premier League testou nesta temporada 2023/24 um novo modelo de controle financeiro que combina o “squad-cost ratio” (SCR) – limite de gastos com elenco – e um mecanismo de “ancoragem” baseado na receita do último colocado. Se a medida for ratificada, substituirá as atuais regras de Lucro e Sustentabilidade (PSR) a partir da campanha 2026/27.
O que é o Squad-Cost Ratio?
O SCR autoriza cada clube a usar apenas um percentual da própria receita anual em custos de elenco (salários, amortizações de transferências e comissões). O parâmetro segue o Fair Play Financeiro da Uefa, fixado em 70% para torneios continentais.
Na prática, os nove ingleses classificados para competições europeias – Liverpool, Arsenal, Manchester City, Chelsea, Newcastle, Tottenham, Aston Villa, Crystal Palace e Nottingham Forest – já operam com teto de 70%. Para as demais equipes da liga, o limite de testes está em 85%, segundo o CEO da Premier League, Richard Masters, porque “queremos que nossos clubes mantenham margem para investir”.
Ancora de Gastos: controle top-to-bottom
O segundo pilar é a “ancoragem” (top-to-bottom anchoring). A regra fixa que nenhuma equipe poderá gastar além de um múltiplo (a ser definido) da receita do time de pior faturamento da divisão. O objetivo é impedir que a distância financeira entre topo e base da tabela se amplie a ponto de comprometer a competitividade interna.
Raio-X Financeiro: quanto isso representa hoje
Receitas atuais (temporada 2022/23, fonte: Deloitte Football Money League)
- Manchester City: €731 mi (aprox. £631 mi)
- Liverpool: €705 mi (aprox. £608 mi)
- Arsenal: €532 mi (aprox. £459 mi)
- Média dos três últimos colocados da Premier League 2023/24: cerca de £110 mi em direitos de TV e matchday
Com um SCR de 70%, o City, por exemplo, poderia alocar em torno de £442 mi ao elenco, valor ligeiramente inferior ao seu gasto estimado atual com salários e amortizações (~£470 mi).
Se a ancoragem for fixada, hipoteticamente, em 5 vezes a receita do lanterna, qualquer clube ficaria limitado a cerca de £550 mi anuais, criando um “teto real” até mesmo para os super-gastadores habituais.
Impacto projetado no mercado até 2026
1. Contratações mais seletivas – Equipes no topo precisarão equilibrar folha e amortizações a cada janela, possivelmente recorrendo a vendas estratégicas ou maior promoção de atletas da base.
Imagem: Internet
2. Valorização de direitos de TV domésticos – Como a âncora usa a receita do último colocado, qualquer renegociação positiva de TV beneficia todo o ecossistema e amplia o teto de gasto.
3. Pressão por diversificação de receitas – Patrocínios internacionais, receitas de estádio e projetos de mídia própria devem ganhar relevância, pois aumentam a base de cálculo do SCR.
Próximos passos e calendário
O conjunto de regras será debatido em assembleias dos 20 clubes ao longo de 2024/25. Caso aprovado por maioria qualificada (14 votos), entra no estatuto da liga e passa a valer integralmente já no início de 2026/27, substituindo o PSR.
Conclusão: a adoção combinada de SCR e ancoragem alinha a Premier League ao Fair Play Financeiro da Uefa e cria um segundo freio interno para reduzir o fosso competitivo. Até 2026, clubes precisarão revisar modelos de negócio e políticas de folha para evitar sanções esportivas e financeiras, tornando as próximas duas janelas de transferências um verdadeiro laboratório de ajustes.
Com informações de BBC Sport