Quem? Os 20 clubes da Premier League. O quê? Alta de gols em bolas paradas e passes longos. Quando? Nas primeiras sete rodadas da temporada 2025/26. Onde? Em estádios de toda a Inglaterra. Por quê? A combinação de calendário apertado, busca por eficiência e evolução do modelo de posse de bola fez crescer, de forma inédita, o protagonismo de escanteios, laterais longos e ligações diretas.
Por que o jogo aéreo voltou ao centro das atenções?
Depois de anos dominados pelo “posicionismo” derivado de Pep Guardiola – posse longa, construção curta e zagueiros armadores –, os analistas de performance apontam um ponto de saturação: com 60 % de posse já atingidos pelas principais equipes, restavam poucos detalhes a controlar. A resposta encontrada por técnicos como Arne Slot (Liverpool) e Enzo Maresca (Chelsea) foi explorar a única fase pouco estudada à exaustão: a bola parada. Esse movimento ganhou tração com o calendário cada vez mais cheio, que limita sessões de treino elaboradas em campo aberto, mas permite ensaiar rotinas fixas de cobrança em curto espaço de tempo.
Raio-X das estatísticas após 7 rodadas
• 182 gols marcados – 45 oriundos de bolas paradas (26 % do total). Na temporada passada a taxa era de 18 %.
• Escanteios decisivos: média de 0,49 gol por jogo em 2025/26, contra 0,36 em 2024/25.
• Laterais longos: já são 8 gols, ritmo que projeta 32 até maio (o dobro do recorde anterior).
• Arsenal (7) e Chelsea (5) concentram boa parte desses tentos mesmo sendo equipes de posse, o que eleva o indicador geral.
• Long balls: City, Arsenal, Chelsea, Spurs e Liverpool somam 226 lançamentos por jogo, alta de 11 % em relação à temporada anterior (203).
Impacto nos candidatos ao título
Arsenal adicionou rotinas de bloqueio de zona no primeiro pau que já renderam sete gols; o recurso compensa a ausência de Gabriel Jesus, lesionado, ao multiplicar chances de bola viva na área.
Chelsea, de Enzo Maresca, equilibra a construção curta com o efeito surpresa de laterais longos de Marc Cucurella. O time marcou cinco vezes assim e venceu confrontos diretos contra Liverpool e Spurs.
Imagem: Internet
Manchester City ainda não balançou as redes em bolas paradas, mas aumentou o número de passes longos para acionar Haaland em transições, tendência que diminui o tempo de posse estéril e mantém o norueguês isolado menos vezes.
Liverpool perdeu a liderança após 13 meses, mas Arne Slot já elevou em 20 % a frequência de ligações diretas para desafogar a pressão adversária – caminho que deve ganhar espaço com a volta de Trent Alexander-Arnold, especialista em inversões longas.
Será que a moda pega ou é fogo de palha?
Com defesas se ajustando, é provável que a eficácia das bolas paradas caia levemente ao longo do ano. Porém, enquanto a densidade de jogos reduzir o tempo de treino, a lógica de “treinar menos fases complexas e repetir mais rotinas fixas” continuará atraente. A fadiga também aumenta erros de marcação, o que favorece escanteios e laterais ofensivos.
Próximos capítulos
Na volta da Data Fifa, Chelsea x Bournemouth e Arsenal x Everton serão bons termômetros: ambos os visitantes lideram a liga em gols sofridos após laterais longos. Caso esses números se mantenham, a janela de janeiro deve ver uma corrida por especialistas em cobrança de lateral e zagueiros com alcance de passe acima de 40 m.
Conclusão prospectiva: a Premier League volta ao passado para reinventar o futuro; se o ritmo atual se mantiver, veremos a maior proporção de gols aéreos desde a criação da competição em 1992. Clubes que acelerarem a adaptação defensiva às chamadas “air raids” poderão ganhar pontos preciosos na virada do ano, enquanto aqueles que ignorarem a onda correm o risco de afundar com ela.
Com informações de The Guardian