Como questão sobre impostos pode pressionar Uefa a suspender Israel?

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Vaud (Suíça), 17 de março de 2026 – Na próxima terça-feira (17), o Parlamento do Cantão de Vaud votará uma resolução que pode revogar a isenção fiscal da UEFA e obrigar a entidade a justificar por que mantém a Associação de Futebol de Israel (IFA) como membro ativo, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

Por que a isenção fiscal da UEFA está sob ameaça?

A UEFA, sediada em Nyon (Vaud), goza há anos de isenção de impostos sob o argumento de que federações esportivas internacionais “promovem a paz e combatem o racismo e a discriminação”. Parlamentares de esquerda contestam se esses critérios continuam válidos enquanto a entidade não aplica sanções a Israel – diferentemente do que fez com a Rússia em 2022.

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O que propõe a resolução “As condições da isenção fiscal da UEFA ainda estão satisfeitas?”

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O texto, apresentado pelos deputados Théophile Schenker, Oriane Sarrasin, Elodie Lopez e Sébastien Humbert, exige que o Conselho de Estado suíço fixe um prazo para que a UEFA:

  • Explique a compatibilidade da permanência da IFA com os princípios de paz da isenção fiscal.
  • Esclareça a ausência de punições esportivas a Israel.

Se aprovada, a medida cria base legal para o fim da isenção, acrescentando pressão financeira inédita à discussão humanitária.

Quanto a UEFA pode perder: impacto de até €5 bilhões

A confederação europeia fatura cerca de €5 bilhões por ano. Sem o benefício fiscal, parte desse montante passaria aos cofres de Vaud e da Confederação Suíça, reduzindo recursos destinados a competições como Champions League, Euro-2028 e programas de desenvolvimento.

Precedentes: o caso Rússia e as reuniões com o movimento Game Over Israel

2022: Rússia é suspensa pela UEFA e pela FIFA após invasão à Ucrânia.
2025: após cessar-fogo temporário em Gaza, dirigentes da UEFA reúnem-se com a campanha Game Over Israel para discutir um eventual banimento israelense.
2026: jogadores como Paul Pogba e Hakim Ziyech assinam carta pedindo ação da entidade.

Raio-X regulatório: como funcionaria uma suspensão de Israel

Quem decide? Apenas o presidente Aleksander Ceferin pode convocar a votação.
Quórum necessário: 11 dos 21 membros do Comitê Executivo (Israel não vota).
Consequências imediatas: clubes israelenses seriam retirados de torneios da UEFA; a seleção ficaria fora das Eliminatórias da Euro 2028.

Cenários pós-votação em Vaud

1. Isenção mantida – A UEFA demonstra alinhamento com a resolução, mas sustenta que dialoga internamente, adiando qualquer sanção.
2. Isenção revogada – Perda fiscal gera efeito dominó: patrocinadores pressionam, outras federações cobram e a suspensão de Israel volta oficialmente à pauta do Comitê Executivo.
3. Compromisso híbrido – A UEFA se compromete a reavaliar a posição de Israel em prazo definido, e o Parlamento congela a revogação até novo posicionamento.

Impacto esportivo potencial nas competições europeias

• Champions League: Maccabi Haifa e outros clubes israelenses correm risco de exclusão.
• Eliminatórias da Euro-2028: grupos teriam de ser realinhados se a seleção for retirada.
• Calendário internacional: amistosos e torneios femininos também seriam afetados, exigindo adaptações logísticas e de segurança.

Conclusão Prospectiva: a votação em Vaud cria um ponto de inflexão raro onde política fiscal, diplomacia internacional e governança esportiva se encontram. Caso a isenção seja revogada, a UEFA enfrentará não apenas um ônus financeiro de bilhões de euros, mas também a necessidade de posicionar-se de maneira clara sobre o conflito Israel-Palestina. O resultado, independentemente do desfecho, deve pautar as próximas reuniões do Comitê Executivo e pode redefinir o mapa competitivo do futebol europeu ainda em 2026.

Com informações de Trivela

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