Manchester (ING), 04/10/2024 — O meio-campista holandês Tijjani Reijnders, contratado pelo Manchester City por €46,3 milhões nesta janela de verão, tornou-se o jogador com mais minutos em campo sob o comando de Pep Guardiola na temporada 2024/25. Em apenas dez partidas oficiais, o camisa 14 já atuou 607 dos 630 minutos possíveis na Premier League e participou de todos os compromissos do clube em todas as competições.
A rapidez da integração: o que explica a confiança imediata de Guardiola?
Historicamente, atletas que chegam ao Etihad demoram de três a seis meses para assimilar conceitos como positional play e a rotação constante de funções exigidas por Guardiola. Foi assim com Rodri em 2019/20 e até com o jovem Nico González neste ano. Reijnders, porém, quebrou essa curva de aprendizado. Sua leitura de espaços, aliada à capacidade de percorrer grandes distâncias—ele próprio se define como “box-to-box”—permitiu que o técnico o escalasse em todas as partidas, inclusive permanecendo em campo por 96,3% dos minutos da liga.
Raio-X estatístico de Reijnders até aqui
• Minutos disputados (Premier League): 607 de 630 possíveis
• Jogos como titular (todas as competições): 10 de 10
• Participação em gols: 1 gol — média de 0,11 gols por 90 min
• Finalizações por 90 min: 2,3 (supera a média de 1,6 de Ilkay Gündogan em 2022/23)
• Passes progressivos por 90 min: 8,1 — terceiro melhor do elenco, atrás apenas de Bernardo Silva (9,0) e De Bruyne (8,7, atualmente lesionado)
O encaixe tático: “novo Gundogan” ou “ponte” entre volantes e atacantes?
Com Kevin De Bruyne fora por lesão e Rodri retornando gradualmente após problema no joelho, Guardiola reposicionou Reijnders como elo entre o primeiro e o terceiro homem de meio-campo. Quando o City tem a posse, ele avança até a meia-lua rival para criar superioridade numérica; quando perde a bola, retorna ao lado de Rodri ou Nico para proteger a linha defensiva.
Esse duplo papel remete às funções que Ilkay Gündogan exercia antes de se transferir para o Barcelona: infiltrações tardias na área e cobertura na saída adversária. A diferença é que o holandês entrega maior volume de corrida — 11,4 km por jogo, segundo dados internos do clube — e chega com frequência para finalizar, característica que lhe rendeu 15 gols pelo Milan em 2023/24.
Impacto na rotação do elenco e próximos desafios
Guardiola conta com Phil Foden, Bernardo Silva e o jovem Rayan Cherki para o setor mais avançado do meio, mas nenhum deles oferece a mesma combinação de físico e consistência defensiva. A tendência é que Reijnders continue como titular absoluto enquanto De Bruyne não retorna, especialmente em partidas grandes — como o clássico contra o Arsenal no próximo fim de semana e a rodada decisiva da Champions League.
Imagem: Internet
Se mantiver a minutagem e o desempenho, o holandês pode até pavimentar caminho para integrar a liderança técnica do elenco, garantindo profundidade a um City que busca o inédito tetracampeonato inglês seguido.
Com a confiança de Guardiola consolidada e números que sustentam seu papel de “motor” no meio-campo, a expectativa é de que Reijnders seja novamente titular nos próximos compromissos. Resta saber como sua sobrecarga física será gerida em dezembro, período crítico do calendário inglês.
Com informações de Manchester Evening News