Liverpool, 12 de outubro de 2025 – Sadio Mané e Mohamed Salah, peças-chave do Liverpool entre 2017 e 2022, voltaram a falar sobre a convivência no clube e confirmaram que a relação nunca foi próxima. Segundo ambos, a busca constante por gols – evidenciada no episódio contra o Burnley, em 2019 – gerou tensão, mas não comprometeu o desempenho coletivo comandado por Jürgen Klopp.
A faísca em Turf Moor: o caso Burnley 2019
O estopim público ocorreu em 31 de agosto de 2019, na vitória por 3 x 0 sobre o Burnley, em Turf Moor. Mané foi substituído aos 85 minutos e, no banco, gesticulou irritado após Salah não ter passado a bola numa jogada clara de gol. Dias depois, o senegalês afirmou que o episódio foi superado, mas o incidente simbolizou a disputa interna por protagonismo ofensivo.
Competição saudável ou confronto de egos?
Em entrevista à L’Équipe, Salah explicou que, após marcar 44 gols na temporada 2017/18, percebeu Mané determinado a igualar a marca. Já o camisa 10 senegalês admitiu ter cobrado o colega no vestiário: “Você precisava me dar a bola, Mo.” Apesar disso, ambos sublinham o profissionalismo mantido em campo – algo corroborado por Roberto Firmino em seu livro recém-lançado.
Visão de vestiário: Firmino, o pacificador
O brasileiro revelou que o atrito “vinha se acumulando desde 2018/19” e que se viu responsável por “apagar incêndios” no trio ofensivo. Segundo Firmino, Mané e Salah “nunca foram melhores amigos”, mas cumpriam a cartilha profissional durante treinos e jogos.
Raio-X da parceria Mané-Salah
- Temporadas juntos: 5 (2017/18 a 2021/22)
- Gols combinados: 338 em todas as competições (Salah 156, Mané 90, considerando números oficiais do clube no período)
- Assistências entre si: Salah → Mané (19); Mané → Salah (15) – Salah é o atleta que mais serviu o senegalês no Liverpool.
- Títulos conquistados: Premier League 2019/20, Champions League 2018/19, Mundial de Clubes 2019, entre outros.
- Incidência de participações diretas em gol (G+A) do time: 46 % na Premier League 2019/20 – indicativo da dependência ofensiva nos dois extremos.
Impacto na era Klopp e lições para o elenco atual
O caso evidencia como o alto nível de competitividade interna pode impulsionar desempenho coletivo, desde que bem gerido. Para Klopp, a transparência no vestiário e o equilíbrio de minutos foram cruciais para manter o trio funcionando. A lição serve às novas contratações ofensivas – como Darwin Núñez e Luis Díaz – que ocupam o espaço deixado por Mané desde 2022.
Imagem: Internet
Perspectiva futura: mesmo distantes – Mané no futebol saudita e Salah ainda em Anfield – a dupla deixa um legado de eficiência e desafio de gestão de egos. O clube deverá aplicar essa experiência na construção do próximo ciclo ofensivo, sobretudo com jovens como Ben Doak despontando e a necessidade de manter Salah motivado enquanto especulações de mercado continuam.
Com informações de Liverpool.com