Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2025 — O atacante Lucas Ribamar, que defendeu o Vasco da Gama entre 2019 e 2020, protocolou um pedido de habilitação retardatária na Recuperação Judicial (RJ) do clube para incluir R$ 1.731.796,54 em créditos reconhecidos pela Justiça do Trabalho. A solicitação foi registrada nesta terça-feira (28) na Vara Empresarial responsável pelo processo.
O que está sendo cobrado e por que agora?
O processo trabalhista de Ribamar transitou em julgado em maio de 2025, garantindo ao jogador:
- R$ 1.587.827,28 em verbas de natureza trabalhista;
- R$ 143.969,26 a título de honorários de sucumbência para seus advogados.
Como a decisão saiu após o prazo oficial de apresentação de créditos aos administradores judiciais, o atacante recorreu ao instrumento de habilitação retardatária, previsto na Lei nº 11.101/2005. A legislação permite a entrada tardia de credores, mas retira deles o direito de voto nas assembleias que definem o plano de recuperação.
Entenda a fila trabalhista dentro da RJ
Créditos de natureza trabalhista têm prioridade no quadro geral de credores, até o limite de 150 salários-mínimos por beneficiário. Qualquer quantia que ultrapasse esse teto passa a ser tratada como crédito quirografário, recebendo apenas depois de trabalhistas, garantias reais e créditos com privilégio especial.
No caso de Ribamar, a maior parte do valor reivindicado se encaixa como crédito trabalhista puro, mas a administradora judicial ainda fará a verificação e eventual glosa de parcelas que excedam o limite legal.
Raio-X: a passagem de Ribamar pelo Vasco
- Período no clube: janeiro de 2019 a novembro de 2020
- Partidas disputadas: 67
- Gols marcados: 7
- Títulos: nenhum
- Último jogo: 14/11/2020, Série A contra o Sport
Apesar de não ter se firmado como titular absoluto, o atacante foi utilizado em diferentes funções ofensivas — centroavante de referência e ponta de transição — principalmente nos esquemas 4-3-3 e 4-2-3-1 adotados pelo clube à época.
Imagem: Internet
Como o pedido impacta a saúde financeira cruz-maltina
O Clube de Regatas Vasco da Gama, associação civil que permaneceu responsável por dívidas pré-SAF, entrou em recuperação judicial em março de 2024 para reestruturar aproximadamente R$ 400 milhões em obrigações. A inclusão de novos créditos como o de Ribamar:
- Eleva o montante total da classe trabalhista, pressionando o caixa destinado aos acordos emergenciais.
- Pode alongar negociações, já que a administradora terá de revisar e eventualmente recalcular prioridades de pagamento.
- Não recai diretamente sobre a SAF, mas afeta a percepção de risco dos credores, pois uma parte das receitas operacionais da empresa é destinada ao clube-associação via contrato de transição.
Próximos passos do processo
1. Análise da Administradora Judicial: verificação documental e validação (ou redução) do valor pleiteado.
2. Publicação no quadro geral de credores: inclusão formal das cifras de Ribamar na categoria trabalhista.
3. Eventuais impugnações: o Vasco ou outros credores podem contestar a habilitação, o que levaria o caso para decisão do juiz.
4. Calendário de pagamentos: caso não haja contestação, o crédito segue para a fase de quitação conforme o plano aprovado.
Conclusão prospectiva: A entrada de Ribamar reposiciona o atacado passivo trabalhista vascaíno e sinaliza que outros ex-atletas podem adotar estratégia semelhante, ampliando a fila de credores prioritários. O desfecho influenciará o fluxo de caixa projetado para 2026 e pode exigir ajustes no plano de recuperação, tema que deverá voltar à pauta na próxima assembleia-geral de credores.
Com informações de NetVasco