Villarreal (ESP) — Aos 20 anos, Rico Lewis ganhou a primeira oportunidade como titular no meio-campo do Manchester City desde janeiro e respondeu com uma assistência para Erling Haaland na vitória por 2 x 0 sobre o Villarreal, pela Liga dos Campeões, oferecendo a Pep Guardiola uma alternativa inédita para recompor o setor que perdeu Kevin De Bruyne e Ilkay Gundogan na última janela.
Por que Guardiola mexeu no tabuleiro
Com Rodri administrando a condição física e sem poder contar com os ex-titulares de longa data, Guardiola vinha alternando Phil Foden e Tijjani Reijnders como interiores, além de testar Nico González, Omar Marmoush e Rayan Cherki. Contra o Villarreal, o técnico optou por quatro mudanças, deixando Foden e Reijnders no banco e deslocando Lewis — lateral-direito de origem e formado na base — para a faixa central, logo atrás de Haaland.
A ideia foi reproduzir o inverted full-back que transformou João Cancelo e John Stones em construtores por dentro, mas com um jogador que se sente naturalmente meio-campista. O resultado veio cedo: aos 7 minutos, Lewis atacou o espaço entre linhas e cruzou na medida para Haaland abrir o placar.
Raio-X de Rico Lewis
Idade: 20 anos
Altura/peso: 1,69 m / 70 kg
Partidas pelo City em 2023/24: 24 (16 PL, 7 UCL, 1 FA Cup)*
Posição de origem: Lateral-direito
Função diante do Villarreal: Meio-campista central, responsável por conduzir a bola entre as linhas rivais e acelerar a posse.
*Dados públicos do Transfermarkt até o início da atual temporada.
Imagem: Internet
O que muda com a nova peça
1. Variedade na saída de bola — Lewis acrescenta agilidade na condução curta, algo que a equipe perdeu sem Gundogan. Sua capacidade de girar rapidamente entre marcadores permite romper pressões altas que o City vem enfrentando.
2. Descanso para Rodri — O espanhol soma mais de 4.000 minutos a cada temporada desde 2021/22. Ter um atleta que entende o timing de ocupar a primeira faixa de criação alivia a dependência do camisa 16.
3. Pressão pós-perda — Treinado como defensor, Lewis lê transições defensivas com mais rapidez que um armador clássico, ajudando o City a recuperar a bola ainda no campo de ataque.
Risco e recompensa: a consistência nos 90 minutos
Apesar do controle inicial, o City sofre para manter o ritmo — cenário que custou pontos na Premier League recente. A fadiga admita por Lewis (“Depois de 10 minutos eu pensei que não chegaria ao intervalo”) evidencia a adaptação física necessária se a opção virar rotina. Ainda assim, Guardiola elogiou publicamente o camisa 82, sinal de que novas oportunidades devem aparecer já nas próximas rodadas.
Próximos capítulos
O calendário aponta confronto decisivo contra o Tottenham no fim de semana e duelo direto na parte alta da tabela inglesa. Caso Lewis confirme a evolução mostrada no Estadio de la Cerámica, aumenta a chance de que Guardiola preserve Rodri em partidas específicas e diversifique o 4-3-3 habitual para um 3-2-4-1 em fase ofensiva, com o jovem desempenhando papel chave no duplo pivô.
Em síntese, Rico Lewis aproveitou a brecha para provar que pode ser mais que um lateral adaptado. Se sustentar o fôlego por 90 minutos, o City ganha flexibilidade tática e profundidade num setor que perdeu nomes importantes — fator que pode ser decisivo na reta final da Champions e da Premier League.
Com informações de Manchester Evening News