More

    Do amor ao desencanto: a visão de Rico Monteiro sobre a crise do jornalismo esportivo

    Anúncios

    Quem? O jornalista esportivo Rico Monteiro. O quê? Crítica contundente à qualidade atual do jornalismo esportivo. Quando? Na reflexão publicada em 2024. Onde? Em entrevista ao portal NetFla. Por quê? Para denunciar a substituição da análise factual por narrativas tendenciosas que, segundo ele, minam a confiança dos torcedores.

    Da paixão infantil à frustração adulta

    Rico Monteiro relembra sua estreia como torcedor e consumidor de informação esportiva em 1985, quando as redações ainda priorizavam a apuração rigorosa dos fatos. Naquele período, transmissões radiofônicas lideravam a audiência, e programas de TV como “Mesa Redonda” tinham formatos essencialmente analíticos. “A verdade era prioridade”, recorda.

    Anúncios

    Como a cobertura mudou e por que isso importa

    Para Monteiro, o maior ponto de inflexão foi a explosão das redes sociais e o consequente boom dos programas de debate ao vivo. Nesse modelo, a polêmica rende mais cliques do que a informação. Estudos da Kantar IBOPE mostram que, desde 2017, formatos de debate ocupam dois dos três horários de maior audiência em TV fechada esportiva, evidência de que o algoritmo — e não a apuração — dita a pauta. O resultado, segundo o jornalista, é um ambiente polarizado que confunde análise com torcida.

    Raio-X: indicadores que sustentam a crítica

    • Confiança do público: pesquisa Datafolha (2023) apontou que 48% dos torcedores acham que “os comentaristas defendem seus clubes de preferência”. Em 2010, essa percepção era de 29%.
    • Formato das atrações: levantamento do site Teleguiado indica que 64% dos programas esportivos de TV aberta em 2022 usavam o formato “mesa de debate”, contra 37% em 2011.
    • Relevância digital: no YouTube, os cinco canais esportivos com maior engajamento são focados em opinião instantânea; juntos, eles somam mais de 19 milhões de inscritos, mostrando a força da narrativa opinativa sobre a reportorial.

    Impacto direto para torcedores e clubes

    Informação enviesada distorce a percepção de desempenho de atletas e equipes. Quando comentaristas minimizam falhas ou supervalorizam vitórias, dirigentes podem sentir menos pressão por resultados reais, enquanto jogadores ficam expostos a expectativas infladas. Isso afeta, por exemplo, o Flamengo — clube que Monteiro acompanha de perto —, onde debates sobre “crise” ou “paz” mudam drasticamente a cada rodada, ainda que os números de desempenho permaneçam estáveis.

    O que esperar do futuro: retorno à objetividade?

    Monteiro acredita que a recuperação da credibilidade passa por duas frentes: treinamento em análise de dados — já incorporado por grandes veículos como ESPN e Globo, que criaram núcleos de estatística própria — e transparência editorial. Plataformas que exibem metodologia de checagem (ex.: The Athletic, Fora de Jogo) tendem a ganhar tração no Google Discover, sinal de que existe audiência para conteúdo aprofundado e não apenas inflamado.

    Do amor ao desencanto: a visão de Rico Monteiro sobre a crise do jornalismo esportivo - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Conclusão: enquanto a audiência premiar a polêmica rápida, o jornalismo esportivo permanecerá sob suspeita. Porém, a adoção de métricas claras e a formação de analistas em leitura de dados oferecem um caminho para reconquistar o torcedor—e, por tabela, o algoritmo. O próximo triênio deve mostrar se as redações abraçarão essa virada ou se a voz de Monteiro será apenas mais um alerta não atendido.

    Com informações de NetFla

    Anúncios

    Artigos relacionados

    Anúncio spot_img

    Artigos recentes