Curitiba, 10/10/2025 — O ex-goleiro Roberto Costa, 70 anos, lança nesta sexta-feira (10) a autobiografia “Roberto Costa — Biografia do Goleiro Mão de Anjo”, entre 18h e 21h, na Arena da Baixada, em Curitiba. Escrito pelo jornalista Josias Lacour, o livro de 228 páginas relata a trajetória do único arqueiro a conquistar duas vezes o troféu Bola de Ouro da revista Placar.
Da Vila Belmiro à Baixada: quase meio século debaixo das traves
Nascido em Santos, Roberto Costa foi revelado pelo Santos FC no início dos anos 1970 e chegou a treinar ao lado de Pelé. Depois de passagem pelo Criciúma (1976), desembarcou no Athletico em 1978, clube no qual se tornou ídolo ao ganhar o bicampeonato paranaense de 1982 e 1983. Em 1984, já no Vasco da Gama, brilhou na campanha vice-campeã brasileira e faturou sua segunda Bola de Ouro.
Bola de Ouro em dose dupla: marca inédita entre goleiros
Desde a criação da premiação em 1973, apenas um seleto grupo de goleiros ergueu a Bola de Ouro. Entre eles, Roberto Costa é o único bicampeão (1983 e 1984). O feito ilumina uma década em que a posição era dominada por nomes como Emerson Leão e Carlos Gallo, mas nenhum deles repetiu a honraria máxima da revista.
Legado rubro-negro: o impacto nos melhores anos do Athletico
Em 1983, o Athletico chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro, eliminado pelo Flamengo que acabaria campeão. A performance defensiva daquele time teve peso decisivo: o Furacão sofreu média de 0,79 gol por jogo na fase de grupos, terceira melhor marca do torneio, segundo registros da época. Roberto Costa foi eleito o melhor jogador da competição, fato raro para um goleiro.
Passagem marcante em São Januário
No Vasco, o “Mão de Anjo” manteve o alto nível. Em 1984, o clube carioca teve a terceira defesa menos vazada do campeonato (média de 0,93 gol por partida) e só parou no Fluminense na decisão, assegurando a segunda Bola de Ouro ao arqueiro.
Imagem: Internet
Raio-X da carreira
- Clubes principais: Santos (1970-75), Criciúma (1976-77), Athletico (1978-83), Coritiba (1981, curta duração), Vasco (1984-85), Internacional, América-SP, Noroeste, Esportivo-MG, Flamengo de Varginha-MG, Taguatinga-DF, Caldense-MG.
- Títulos notáveis: Bicampeonato Paranaense (1982, 1983) e Troféu Bola de Ouro (1983, 1984).
- Seleção Brasileira: participação em amistoso contra a Inglaterra, no Maracanã, em 1984.
- Apelido: “Mão de Anjo”, pela agilidade e segurança nas defesas.
O que o lançamento representa para Athletico, Vasco e fãs de goleiros
A escolha da Arena da Baixada consolida a identificação de Roberto Costa com o Athletico e resgata a memória de uma era em que o clube rompeu barreiras nacionais. Para os vascaínos, reacende a lembrança de um vice-campeonato marcado por defesas decisivas. Já para os estudiosos da posição, o livro fornece material primário sobre metodologias de treino e leitura de jogo da década de 1980, período anterior à popularização dos preparadores específicos de goleiros.
Conclusão prospectiva: Ao registrar lapsos históricos pouco documentados — como a preparação antes de enfrentar Zico ou o desafio de marcar presença em um setor carente de prêmios individuais — a biografia de Roberto Costa tende a alimentar debates sobre a evolução do goleiro brasileiro. Lançamentos em outras praças já estão em negociação e podem ampliar o alcance da obra, reforçando a importância de arquivar memórias de quem transformou defesas em títulos.
Com informações de NetVasco