Salvador, 29 de setembro – Minutos depois de o Bahia vencer o Palmeiras por 1 x 0, em jogo válido pela 25ª rodada do Brasileirão, Rogério Ceni reagiu às críticas de Abel Ferreira sobre as condições do gramado da Arena Fonte Nova e acendeu novo debate sobre superfícies naturais e sintéticas nos estádios da Série A.
O que motivou a troca de farpas
Durante a entrevista pós-jogo, Abel Ferreira apontou o estado do campo como fator de risco para lesões e “incompatível” com a elite do futebol nacional. Ceni respondeu lembrando que o Palmeiras atua em grama sintética no Allianz Parque e sugeriu que a estratégia alviverde de ligação direta se beneficiaria, na verdade, de um gramado mais pesado:
“Para o Palmeiras é melhor gramado ruim porque só fazem ligação direta, quase. […] Para quem joga em gramado sintético reclamar de lesão em gramado natural fica feio.”
Contexto tático da partida
• Bahia: compactou linhas, explorou transições rápidas e marcou alto na saída curta do Palmeiras – postura que potencializou erros adversários.
• Palmeiras: sem Dudu e Rony, optou por bolas longas de Weverton para Flaco López, mas encontrou dificuldades diante da pressão tricolor.
O único gol saiu justamente após recuperação de posse no campo ofensivo, reforçando a leitura de Ceni de que a equipe baiana trabalha mais a bola “desde trás” do que o rival.
Raio-X do gramado na Série A
Superfície sintética: atualmente utilizada por duas equipes (Palmeiras e Athletico-PR).
Superfície natural: presente nos demais 18 clubes, com variações de qualidade decorrentes de clima, calendário de eventos e manutenção.
Estudos da CBF mostram que a bola percorre em média 12 % mais rápido em gramados sintéticos, o que pode alterar padrões de jogo e índices de posse.
Imagem: Rafael Rodrigues
Impacto na tabela e no vestiário
A vitória afasta o Bahia da zona de rebaixamento e reforça a confiança no trabalho de Ceni, agora com três triunfos em casa sobre equipes do G-6. Já o Palmeiras perde chance de se aproximar da liderança e liga alerta para confrontos fora de casa: são quatro partidas sem vencer como visitante.
O que vem pela frente
• Bahia: visita o Atlético-MG na próxima rodada; gramado do Mineirão, híbrido, deve oferecer condições diferentes para a construção desde a defesa.
• Palmeiras: recebe o Red Bull Bragantino no Allianz Parque; Abel terá oportunidade de retomar intensidade em campo sintético e medir impacto psicológico da polêmica.
Conclusão prospectiva: além dos três pontos, o episódio amplia a discussão sobre padronização de gramados no Brasil. A CBF estuda criar critérios mínimos de qualidade e relatórios técnicos já para 2024, tema que ganhará força cada vez que treinadores de ponta transformarem a grama – natural ou sintética – em arma de bastidor.
Com informações de Nação Tricolor