Roma e Lazio deram, nesta semana de 12 de novembro de 2025, passos decisivos em busca de estádios próprios na capital italiana. A AS Roma informou que enviará ao Campidoglio, até o fim da próxima semana, o projeto definitivo da arena em Pietralata, enquanto Claudio Lotito declarou estar “pronto para comprar o Flaminio ou obter um direito de superfície por 99 anos” para a Lazio. O objetivo comum é iniciar obras até 2027 e potencializar receitas antes da Euro 2032, competição que terá partidas em Roma.
Por que os estádios próprios são prioridade?
Hoje, Roma e Lazio dividem o Estádio Olímpico, sob concessão estatal, o que limita ajustes comerciais e receitas em dias sem jogo. Clubes com arenas próprias na Europa geram, em média, 40% a mais de faturamento em “matchday” (bilheteria, hospitalidade e lojas) do que aqueles que apenas alugam estádios, segundo relatório anual da UEFA. A disputa por competitividade financeira e a possibilidade de sediar jogos do Euro 2032 tornaram o tema estratégico para as duas diretorias.
Roma: cronograma apertado para Pietralata
Depois de abandonar o projeto em Tor di Valle há três anos e meio, a Roma concluiu:
- Estudo de viabilidade, conferência de serviços preliminar e debate público;
- Reconhecimento de “interesse público” pela Prefeitura em 2023;
- Retirada da grande laje de concreto no antigo pátio de autopeças (7 out 2025) e retomada de escavações arqueológicas paradas desde 16 jun 2025.
O clube sustenta que eventuais achados arqueológicos e o desmatamento de três hectares serão mitigados por replantio em outra área, cumprindo exigências ambientais. Após a entrega do projeto definitivo, a pauta passa por comissão urbanística, pela Conferência de Serviços decisória na Região Lácio e, por fim, por um bando europeu para a concessão do terreno. A meta é abrir o canteiro em 2027, garantindo elegibilidade ao Euro 2032.
Lazio: Flaminio como ativo patrimonial
A Lazio iniciou em dezembro 2024 um estudo prévio para o Flaminio, estádio inaugurado em 1959 e assinado por Pier Luigi Nervi. A nova proposta de Lotito prevê:
- Compra definitiva do imóvel ou um direito de superfície por 99 anos;
- Manutenção da estrutura histórica, inserindo-a em “teca” moderna, sem demolições ou escavações invasivas;
- Incorporação do ativo ao balanço, aumentando o patrimônio do clube (hoje estimado em € 300 milhões, segundo o presidente).
A Superintendência de Bens Culturais deu sinalizações informais favoráveis, mas o Flaminio é classificado como bem de valor histórico. Assim, o prefeito Roberto Gualtieri aguarda pareceres jurídicos para mitigar riscos de impugnações, inclusive de entidades como a Federsupporter e da Roma Nuoto, derrotada em pedido semelhante.
Imagem: Internet
Raio-X: números que explicam a urgência
- Receita de bilheteria 2023/24*: Roma € 49,7 mi | Lazio € 27,4 mi.
- Média de público 2023/24*: Roma 61.503 torcedores | Lazio 44.932 torcedores.
- Capacidade planejada: Pietralata 55–60 mil lugares | Flaminio remodelado 45–50 mil lugares.
- Deadline esportivo: arenas prontas até 2030 para test events rumo à Euro 2032.
*Dados públicos da Lega Serie A.
Próximos passos e impacto para Euro 2032
Se Roma cumprir o cronograma e Lazio avançar na negociação de compra, a capital pode ter, em 2027, dois canteiros simultâneos. Para a FIGC e a UEFA, isso amplia a oferta de palcos na fase de grupos do Euro 2032 e diversifica as receitas de hospitalidade. Já em campo esportivo, a autonomia sobre calendários de shows e eventos reduzirá conflitos atuais no Olímpico, permitindo melhor manejo do gramado e preparação física.
Com a entrega do projeto romanista prevista para até 10 dias e Lotito pressionando por respostas sobre o Flaminio, o eixo da discussão deixa de ser “se” e passa a ser “quando” as fundações serão lançadas. O andamento dos processos burocráticos no início de 2026 será decisivo para que ambas as arenas saiam do papel a tempo de impactar o planejamento esportivo, o caixa dos clubes e, principalmente, o calendário internacional até a Euro 2032.
Com informações de Corriere dello Sport