Buenos Aires (23/02/2026) – O campeão mundial Oscar Ruggeri afirmou no programa ESPN F90 que Edinson Cavani, 40 anos, deveria considerar a aposentadoria após as vaias recebidas na Bombonera. Para o ex-zagueiro, o camisa 10 do Boca Juniors não consegue mais acompanhar o ritmo físico do futebol argentino, e insistir em reverter o cenário “apenas prolonga um fim triste”.
Por que o tema voltou aos holofotes?
O debate sobre Cavani ganhou força depois de uma nova sequência de críticas da torcida xeneize. Ruggeri, convidado do programa, classificou como “pecado” ver um atleta com passagem marcante por Napoli, Paris Saint-Germain e Manchester United virar alvo de insultos. Aos 40, o uruguaio tenta recuperar espaço no 4-2-3-1 de Diego Martínez, mas soma atuações sem gol nas últimas rodadas da Copa da Liga.
Contexto da queda de rendimento
Desde sua chegada em julho de 2023, Cavani alterna picos de produtividade e longos jejuns. O setor ofensivo do Boca depende da movimentação do veterano para atacar a última linha rival, mas a intensidade defensiva do campeonato limita suas infiltrações. Ruggeri ressaltou que “os zagueiros chegam firme e não deixam respirar”, cenário que exige explosão curta – justamente a valência que mais sofre com o avanço da idade.
Raio-X de Cavani no Boca
- Partidas oficiais: 43
- Gols marcados: 12
- Assistências: 3
- Média de finalizações por jogo: 2,1
- Média de minutos para participar de gol: 248
Os números, embora respeitáveis para um atleta de 40 anos, ficam aquém dos 0,62 gols/jogo que sustentou no PSG (2013-2020). A diferença indica a adaptação incompleta ao contexto tático sul-americano, cujo volume de transições é maior e a margem de tempo para a tomada de decisão, menor.
Ciência do desempenho aos 40: quando parar?
Estudos publicados pelo British Journal of Sports Medicine apontam queda média de 1,2% na potência anaeróbica a cada ano após os 32. No nível de elite, isso se traduz em frações de segundo que definem quem chega antes na bola. Ruggeri mencionou justamente essa lacuna: “Com 40 anos é difícil jogar hoje no futebol argentino, rápido, de contato”.
Imagem: Internet
Impacto para o Boca Juniors
Se Cavani optar pela saída, o Boca perde seu pivô experiente, mas libera folha salarial para investir em um atacante de mobilidade. Já a permanência obriga a comissão técnica a repensar o modelo: jogos com posse mais longa, linhas compactas e menor exposição a corridas de alta intensidade. O clube ainda disputa Libertadores e campeonato local – competições que exigem elenco profundo e variação de jogo.
No curto prazo, a declaração de Ruggeri aumenta a pressão interna sobre Cavani e antecipa discussões de mercado. A diretoria observa o calendário FIFA de março, oportunidade para sondar alternativas antes da janela de meio de ano. Independentemente da decisão do uruguaio, o Boca terá de recalibrar seu plano ofensivo para seguir competitivo em 2026.
Com informações de ESPN.com.br