São Paulo, 26 de janeiro de 2026 – A empresa de agenciamento Secasports ingressou na Justiça contra o Santos FC, alegando coação para renúncia de créditos durante a transferência de Yeferson Soteldo ao Fluminense, concluída em junho de 2025. O processo exige que o clube paulista pague valores que somam mais de R$ 4 milhões, além de danos morais, honorários e custas.
Entenda a disputa judicial
Segundo a petição inicial, a Secasports já discutia R$ 515 mil na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) relativos a intermediações anteriores. Havia ainda parcelas abertas de uma comissão de R$ 3,8 milhões. Quando surgiu a oferta do Fluminense por Soteldo, o Santos teria condicionado a liberação do atleta à assinatura de um distrato em que a empresa abriria mão desses créditos e de mais R$ 960 mil restantes do acordo original.
A Secasports afirma ter cedido “em posição de vulnerabilidade econômica” e, mesmo assim, não recebeu os 5% da venda (cláusula verbal) prometidos pelo Santos. O valor de referência é a negociação de US$ 5 milhões (aprox. R$ 30 milhões) fechada com o Fluminense.
Como a transferência de Soteldo entrou no imbróglio
O ponta venezuelano foi um dos destaques do Santos entre 2020 e 2021, antes de passagens por Toronto FC e Tigres. De volta ao Brasil, Soteldo ganhou mercado novamente e chamou a atenção do Fluminense, que buscava um substituto de velocidade para compor o trio ofensivo de Fernando Diniz na disputa da CONMEBOL Libertadores 2025.
Para o Santos, a venda foi vista à época como necessária para gerar caixa e reduzir a folha salarial. No entanto, a Secasports sustenta que o clube se valeu da urgência da negociação como “isca” para livrar-se de débitos anteriores.
Raio-X das dívidas reclamadas
- R$ 515 mil – valores discutidos na CNRD.
- R$ 2,2 milhões – parcelas em aberto de comissões passadas (parte dos R$ 3,8 milhões originais).
- 5% da venda – aproximadamente R$ 1,5 milhão (sobre R$ 30 milhões).
- Danos morais + honorários – montantes a serem fixados em sentença.
Impacto financeiro no planejamento do Santos
Já pressionado por um passivo que ultrapassa a marca de R$ 700 milhões em balanço consolidado (dado público do último demonstrativo financeiro), o Santos encara o risco de arresto de bens, medida capaz de bloquear receitas de TV, bilheteria e patrocínios. Caso o clube seja condenado, o desembolso imediato pode comprometer investimentos em contratações ou na base, áreas consideradas prioritárias após o retorno à Série A em 2025.
Imagem: coação e dívida miliária
Possíveis cenários e próximos passos
A Justiça poderá homologar o pedido de arresto em caráter liminar, o que colocaria o Santos sob tutela de fluxo de caixa já nos primeiros meses da temporada. Em paralelo, o clube pode buscar:
- Acordo extrajudicial – parcelamento da dívida para evitar bloqueios.
- Defesa na CNRD – tentativa de retomar a discussão sobre a validade da renúncia assinada.
- Recurso à FIFA – em caso de condenação, o Santos ainda teria instâncias superiores, mas correria risco de punições desportivas, como impedimento de registrar novos atletas.
Conclusão prospectiva: A ação da Secasports adiciona uma camada de incerteza ao planejamento santista para 2026. Se confirmada a condenação, o clube precisará reconfigurar seu orçamento justamente quando busca estabilidade esportiva após anos de oscilação financeira. O desenrolar do processo nos próximos meses será decisivo para entender até que ponto o passivo jurídico impactará a montagem do elenco e a estratégia de mercado do Santos.
Com informações de ESPN Brasil