São Paulo Futebol Clube iniciou, em dezembro de 2025, uma ampla reformulação no departamento médico — com 15 demissões confirmadas — após uma temporada marcada por 49 lesões e pela controvérsia do uso de canetas emagrecedoras prescritas a dois atletas, segundo apuração da ESPN.
Por que o clube decidiu agir agora?
A diretoria avaliou que o alto número de lesões em 2025 — 49 casos oficialmente reconhecidos, sem contar viroses e outros quadros clínicos — comprometeu o desempenho esportivo. O elenco terminou o ano sem títulos e fora do G-4 do Brasileirão, cenário que reforçou a pressão interna para mudanças nos processos de prevenção e reabilitação.
A polêmica das canetas emagrecedoras
O método, introduzido pelo médico Dr. Eduardo Rauen, envolve aplicações subcutâneas de um análogo de GLP-1 aprovado pela Anvisa e diferente do popular Mounjaro. O recurso foi adotado de forma pontual em dois jogadores que estavam sem espaço na rotação, mas dividiu opiniões entre os profissionais de saúde do CT da Barra Funda.
Embora não haja evidência de relação direta entre o medicamento e as lesões musculares, a discussão acentuou o racha político já existente entre grupos favoráveis à manutenção dos antigos protocolos e os que defendem práticas mais agressivas de controle de peso.
Raio-X das lesões do São Paulo em 2025
- Total oficial: 49 lesões musculares, ligamentares ou traumáticas.
- Picos de incidência: abril (9 ocorrências) e agosto (7 ocorrências), justamente em períodos de sequência de jogos a cada 72 h.
- Setores mais afetados: laterais (12%), meias centrais (18%) e atacantes de velocidade (22%).
- Jogadores com 3 lesões ou mais: 5 atletas, o que impactou rotações e fez o técnico recorrer 11 vezes a atletas da base.
Quem sai e quem chega no departamento médico
Até o momento, o clube contabiliza 23 desligamentos: 15 profissionais de saúde, 6 funcionários de apoio e 2 dirigentes que entregaram o cargo. As vagas serão preenchidas por especialistas que já trabalham com a metodologia de monitoramento de carga desenvolvida por Rauen, alinhada a softwares de GPS e prontuário eletrônico.
Imagem: Internet
Impacto nos planos esportivos para 2026
A curto prazo, o São Paulo precisará integrar rapidamente os novos profissionais para evitar prejuízos na pré-temporada, que começa em janeiro e inclui exames físicos, avaliações metabólicas e um torneio-amistoso nos Estados Unidos. A médio prazo, a meta é reduzir a taxa de lesões em 20% até julho, meta considerada essencial para uma campanha consistente na Libertadores, competição para a qual o clube busca a classificação via Pré-Libertadores.
Conclusão: A crise no departamento médico expôs divisões internas, mas também abriu caminho para uma modernização nos protocolos de saúde do São Paulo. Se a nova equipe conseguir cumprir a meta de redução de lesões, o Tricolor chegará mais competitivo ao calendário apertado de 2026, fazendo da pré-temporada o primeiro grande termômetro de sucesso dessa reestruturação.
Com informações de ESPN Brasil