São Paulo, 2024 – Cobrado publicamente pelo presidente gremista Alberto Guerra, o São Paulo depositou nesta semana cerca de US$ 1,4 milhão ao Grêmio, referente a parcelas atrasadas da compra do atacante Ferreirinha, autor de sete gols na atual temporada tricolor. O clube gaúcho ainda aguarda o valor restante, previsto para ser liquidado até o fim do ano, segundo acordo mantido entre as diretorias.
Por que a cobrança veio a público?
Durante entrevista coletiva na Arena do Grêmio, Guerra lembrou que “dois clubes ainda devem parcelas de Ferreirinha e Nathan Fernandes”. A exposição tem dois objetivos táticos fora de campo: proteger o fluxo de caixa gremista e pressionar publicamente os devedores, mecanismo comum em negociações longas entre clubes brasileiros.
Impacto financeiro no Morumbi
Embora o valor pago represente menos de 10% do orçamento anual do São Paulo, a quitação parcial evita multa por atraso, preserva a relação com o Grêmio – potencial parceiro de mercado – e demonstra ao elenco que as obrigações são cumpridas, fator importante para manter o vestiário confiante.
Raio-X de Ferreirinha em 2024
- Gols: 7 em competições nacionais e internacionais
- Assistências: 3
- Participação direta em gols: 1 a cada 118 minutos
- Posição média em campo: ponta esquerda, com incursões para a meia-lua
- Principais fundamentos: velocidade em transição (máx. 34 km/h) e drible curto (62% de sucesso)
Por que o atacante é peça-chave de Zubeldía
Com o novo treinador, o São Paulo alterna o 4-3-3 para o 4-2-3-1. Em ambos os esquemas, Ferreirinha amplia a amplitude ofensiva, oferece profundidade e puxa a marcação para abrir corredor a Lucas Moura ou Calleri infiltrarem. Sem ele, o time perde aceleração nos contragolpes – setor em que ainda tenta subir o índice de gols em transição, hoje abaixo da média dos oito primeiros colocados do Brasileirão.
O que falta pagar e o cronograma projetado
O montante total da transferência gira em torno de US$ 6 milhões. Com o novo depósito, restaria aproximadamente US$ 4,6 milhões, que, de acordo com interlocutores dos dois clubes, deve ser parcelado em tranches trimestrais até dezembro. O Grêmio descarta recorrer à FIFA enquanto o calendário for respeitado.
Imagem: Rubens Chiri
Efeito cascata na janela de julho
A regularização parcial dá fôlego ao São Paulo para pleitear reforços sem esbarrar no fair play interno aprovado pelo Conselho, que limita gastos em 70% da receita operacional. Já o Grêmio, ao receber caixa imediato, ganha munição para buscar um meia articulador após a lesão de Diego Costa.
No horizonte imediato, a manutenção do cronograma de pagamentos tende a manter a relação institucional saudável e liberar o São Paulo para focar na sequência de mata-matas em agosto. Qualquer novo atraso, porém, reacenderia o risco de denúncia à CBF ou à FIFA, podendo afetar futuras inscrições de atletas.
Com informações de Nação Tricolor