Roma, 24 de janeiro de 2026 – Logo após o empate entre Lecce e Lazio, Maurizio Sarri abriu o jogo nos microfones da DAZN. O técnico afirmou que não há ruptura com o elenco, relembrou a despedida emocionada de Matteo Guendouzi – negociado com o Fenerbahçe há dez dias – e mostrou preocupação com a iminente transferência de Alessio Romagnoli para a Arábia Saudita, movimento que, segundo ele, pode fragilizar o sistema defensivo biancoceleste.
Por dentro do vestiário: o choro de Guendouzi e a negação de conflito
Ao rebater rumores de desavenças internas, Sarri citou nominalmente o caso de Guendouzi sem mencionar o meio-campista diretamente: “Dez dias atrás um jogador veio ao meu escritório e chorou antes de sair”. O atleta em questão deixou o clube rumo ao Fenerbahçe na janela de janeiro após 21 partidas oficiais e 1 gol com a camisa da Lazio.
O treinador reforçou que a narrativa de “falta de sintonia” é apenas um pretexto para justificar saídas: “Se vendem um jogador e dizem que ele não se dava bem comigo, me parece injusto. Eles me disseram coisas totalmente diferentes”.
Romagnoli próximo do Oriente Médio: a dor de cabeça defensiva
A transferência do zagueiro Alessio Romagnoli para a Saudi Pro League está em fase final de negociação. Sarri foi direto: “Se ele sair, vamos voltar a tomar gols por dois ou três meses. Mesmo que chegue um craque, precisará de tempo para entender nossos mecanismos”.
O treinador revelou ter sido consultado pela diretoria: “Disse que, taticamente, é inviável. Mas o mercado é com eles”.
Raio-X biancoceleste
Defesa sólida em números recentes
• Em 2022/23, a Lazio terminou com a segunda melhor defesa da Serie A, sofrendo apenas 30 gols em 38 rodadas (Lega Serie A).
• Com Romagnoli como titular desde 2024/25, a média de gols sofridos caiu de 1,1 para 0,9 gol por jogo na liga.
Guendouzi na temporada 2025/26
• 21 partidas oficiais (17 na Serie A, 4 na Champions).
• 90% de passes certos e média de 2,1 desarmes por jogo (Opta).
• Contratado em agosto de 2025 por 13 milhões de euros, saiu por empréstimo com obrigação de compra ao Fenerbahçe.
Imagem: Internet
O que muda taticamente
Sem Guendouzi – Sarri perde um meio-campista de vigor e cobertura na primeira linha de pressão. O 4-3-3 tende a ficar mais técnico, com Vecino ou Cataldi assumindo a função de “mezzala” disruptiva.
Sem Romagnoli – A saída do zagueiro canhoto desmonta a saída de três que inicia pela esquerda. Gila, Patric e Casale são opções, mas nenhum reproduz a mesma liderança e leitura de jogo. O time pode ser obrigado a recuar a linha defensiva nos próximos compromissos, perdendo metros de pressão.
Próximos capítulos
A Lazio enfrenta a Atalanta em oito dias, já sem Guendouzi e possivelmente sem Romagnoli. Se o capitão for mesmo para a Arábia, a diretoria terá até o fim da janela para definir um substituto capaz de assimilar rapidamente os princípios de Sarri. Caso contrário, o clube corre o risco de comprometer a luta por vaga na Champions e reeditar problemas defensivos que pareciam superados.
Conclusão: O desabafo de Sarri escancara um ponto de tensão entre projeto esportivo e estratégia financeira na Lazio. Com a perda de dois titulares em menos de duas semanas, o técnico terá de redesenhar o equilíbrio do meio-campo e a solidez da retaguarda. O comportamento da equipe nos próximos jogos indicará se o discurso de “inevitável queda de rendimento” se confirmará em campo – e se a diretoria se moverá para minimizar o impacto.
Com informações de Corriere dello Sport