Roma (ITA) — Representantes de Manchester City, Liverpool, Manchester United, Arsenal, Nottingham Forest e de outras potências europeias se reuniram na última semana, na assembleia-geral da European Football Clubs (EFC), para discutir um formato com até seis substituições por partida e elencos de 28 atletas, medida que visa reduzir a carga de jogos sobre os jogadores.
Por que o tema voltou à mesa?
Desde a adoção definitiva das cinco substituições na temporada 2022/23, cresceram as queixas de jogadores e sindicatos sobre exaustão física e mental. A proposta de uma sexta troca — além de três vagas extras no elenco — surgiu informalmente em Roma, embora qualquer alteração precise ser recomendada primeiro pela International Football Association Board (IFAB), órgão que regula as regras do jogo.
Raio-X do desgaste: números que sustentam a discussão
- 80 convocações em um ano: Archie Gray (Tottenham) e Arda Güler (Real Madrid) lideraram a Europa em 2024/25, mesmo com apenas 19 e 20 anos, respectivamente.
- Substitutos decisivos: 16,1% dos gols da Premier League 2024/25 saíram do banco — recorde histórico. Antes das cinco trocas, o índice era 9,8% (2021/22).
- Ampliação de elencos: a proposta elevaria os grupos inscritos de 25 para 28, oferecendo, em tese, mais rotação sem sobrecarregar titulares.
- Uso real das cinco trocas: desde 2022, os clubes completaram todas as substituições em 43% dos jogos; quando o limite era três, a taxa chegava a 59%.
Impacto tático: mais fôlego ou só mais opções?
No aspecto estratégico, uma sexta substituição abriria ao técnico duas possibilidades principais: intensificar pressão nos minutos finais — trocando, por exemplo, um atacante exausto por outro de velocidade — ou proteger atletas em sobrecarga, algo crítico em equipes que disputam quatro competições simultâneas.
Entretanto, fontes ligadas à Professional Footballers’ Association (PFA) alertam que a mera presença no banco já exige viagem, concentração e preparo mental; portanto, elencos maiores não eliminam por completo o desgaste.
Calendário apertado e negociações futuras
A UEFA, FifPro Europa e a própria EFC iniciaram em junho um estudo aprofundado sobre lesões e performance. O relatório anual da FifPro mostrou que, mesmo sem entrar em campo, o tempo de deslocamento e preparação conta como carga de trabalho.
Para que a regra valha nos principais campeonatos, é preciso: (1) aprovação da IFAB; (2) adesão das federações nacionais; (3) alinhamento com contratos de transmissão, já que partidas com mais interrupções podem alterar janelas comerciais.
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O que vem a seguir?
Com o início da pré-temporada europeia em julho, os clubes devem formalizar uma proposta concreta à IFAB ainda em 2025. Caso aprovada, a mudança estrearia, no mínimo, na temporada 2026/27, tempo necessário para ajustes regulatórios e de marketing.
Conclusão prospectiva: Se implementada, a sexta substituição tende a aumentar a profundidade tática dos jogos e, ao mesmo tempo, reduzir minutos efetivos dos principais atletas, ponto crucial em um calendário que cresce ano a ano. Resta acompanhar se a medida será suficiente para frear a escalada de lesões ou se abrirá caminho para discussões ainda mais radicais, como calendário global unificado.
Com informações de BBC Sport