Dakar (Senegal), 10/04/2024 – O governo do Senegal solicitou nesta quarta-feira uma “investigação internacional independente” sobre suposta corrupção na Confederação Africana de Futebol (Caf) depois que o órgão retirou do país o título da Copa Africana de Nações 2025 e o atribuiu ao Marrocos.
Como o título mudou de mãos
Em 30 de janeiro, o Senegal havia vencido o Marrocos por 1 × 0 na final disputada em Rabat. Contudo, na última terça-feira (09/04), o Comitê de Apelação da Caf anulou o resultado por entender que os senegaleses abandonaram o gramado “sem autorização” quando o árbitro assinalou pênalti para os anfitriões nos acréscimos. Após 17 minutos, o jogo recomeçou, o goleiro Édouard Mendy defendeu a cobrança de Brahim Díaz e, já na prorrogação, Pape Gueye marcou o gol do título.
Com a decisão, a Caf declarou W.O. de 3 × 0 a favor do Marrocos, revertendo toda a premiação esportiva e financeira.
Por que o Senegal saiu de campo
A seleção senegalesa protestou contra o pênalti marcado pelo congolês Jean-Jacques Ndala, que inicialmente havia anulado um gol de Ismaïla Sarr no lance anterior. A atitude desencadeou não só a revisão do resultado, mas também abriu um debate na International Football Association Board (Ifab) sobre protocolos para situações em que jogadores deixam o campo em sinal de protesto.
Reação imediata: governo, federação e jogadores
• Governo: classificou a reversão como “decisão sem precedentes e manifestamente ilegal”.
• Federação Senegalesa (FSF): vai recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e afirma que “lutará até o fim”.
• Elenco: atletas como Idrissa Gueye declararam que não pretendem devolver as medalhas.
Raio-X regulatório e histórico
Artigo aplicado pela Caf: abandono de campo configurando desistência (resultado 3 × 0 ao adversário).
Precedentes mundiais: apenas 6 casos documentados de equipes que deixaram o gramado em protesto resultaram em derrota automática.
Tempo médio de julgamento no CAS: entre 4 e 6 meses, segundo o ex-membro disciplinar da Fifa Raymond Hack.
Imagem: Internet
Impacto competitivo e financeiro
1. Ranking da Fifa: o Senegal perderia 22 pontos caso o W.O. seja mantido, caindo duas posições no Top-25 africano.
2. Premiação: cerca de US$ 7 milhões são redistribuídos automaticamente ao novo campeão – valor que pode ser retido até decisão final do CAS.
3. Eliminatórias de 2027: incerteza jurídica pode afetar o planejamento de ambas as seleções para a janela de jogos de setembro.
O que esperar do recurso no CAS
• Prazos: a FSF deve protocolar o apelo em até 10 dias úteis; o CAS costuma marcar audiência dentro de 60 dias.
• Pontos-chave da defesa: a arbitragem validou o reinício da partida e a prorrogação, o que indicaria manutenção do encontro “em condições normais”.
• Possíveis desfechos: confirmação do W.O., anulação completa do jogo (sem campeão) ou reintegração da vitória senegalesa.
Conclusão prospectiva: O impasse não apenas coloca em xeque a credibilidade da Caf, mas também pressiona a Ifab a regulamentar protestos coletivos em campo. Até que o CAS se pronuncie, Senegal e Marrocos seguirão planejamento duplo: preparação esportiva e batalha jurídica. A decisão final terá efeito cascata sobre premiações, rankings e até sobre o modelo disciplinar de futuras competições continentais.
Com informações de BBC Sport