Ole Gunnar Solskjaer, ídolo do Manchester United como jogador e ex-treinador do clube, concedeu entrevista exclusiva à série “The Football Interview”, da BBC, exibida neste sábado (23h35 GMT) na BBC One e nas plataformas digitais da emissora. Na conversa, o norueguês de 50 anos revisita desde o serviço militar obrigatório em seu país até o histórico gol do título da Champions League de 1999, comenta os desafios à frente dos Red Devils entre 2018 e 2021 e projeta um futuro comando da seleção da Noruega.
Da tropa ao Teatro dos Sonhos: como surgiu o “assassino com rosto de bebê”
Solskjaer contou que, aos 19 anos, interrompeu a carreira em clubes locais para cumprir um ano no Exército norueguês. O período, segundo ele, foi decisivo para desenvolver independência e maturidade que o ajudariam na transição para o futebol profissional.
O salto veio em 1996, quando o então assistente técnico Jim Ryan, do Manchester United, observava o zagueiro Ronny Johnsen em um jogo da Noruega e se encantou com dois gols marcados por Solskjaer. A contratação por cerca de £1,5 milhão foi fechada rapidamente, evitando a concorrência do Wolverhampton.
O “Super Sub” decifrado: vantagem física e mental
Mesmo incomodado em começar no banco, o ex-atacante explicou que explorava defensores cansados nos minutos finais. A mentalidade deu resultado: 30 dos seus 126 gols pelo United saíram após o minuto 80, incluindo o famoso tento aos 93’ contra o Bayern de Munique que selou a Tríplice Coroa em 1999.
Cadernos de notas e a transição para o banco de reservas
Uma lesão grave em 2003 levou Solskjaer a preencher cadernos com observações sobre Sir Alex Ferguson: gestão de vestiário, ajustes táticos e rotação de elenco. O hábito pavimentou a troca das chuteiras pela prancheta.
Desafios no comando do United: bons números, timing ingrato
Entre dezembro de 2018 e novembro de 2021, o norueguês dirigiu o United em 149 jogos oficiais: 78 vitórias, 33 empates e 38 derrotas (aproveitamento de 58%). Levou o time aos:
Imagem: Internet
- 2º lugar da Premier League 2020/21 (74 pontos, melhor campanha desde 2013);
- Final da Europa League 2020/21 (derrota nos pênaltis para o Villarreal);
- Semi da Copa da Inglaterra 2019/20.
O treinador admitiu que uma sequência de seis semanas de maus resultados — culminando no 4-1 para o Watford — foi suficiente para a diretoria mudar o comando em meio à dominância de Liverpool (Jürgen Klopp) e Manchester City (Pep Guardiola) na liga.
Raio-X de Ole Gunnar Solskjaer
- Jogador – 366 jogos e 126 gols pelo Manchester United (1996-2007)
- Títulos principais – 6 Premier Leagues, 2 Copas da Inglaterra, 1 Champions League, 1 Mundial de Clubes
- Seleção norueguesa – 67 partidas, 23 gols; disputou a Copa de 1998
- Técnico – 3 anos no United; passagens por Molde e Cardiff City
- Especialidade – Entradas no segundo tempo: média de 0,46 gol por 90 minutos quando utilizado como reserva na Premier League
Horizonte: seleção norueguesa no radar e aprendizado constante
Solskjaer reforçou o desejo de suceder o amigo Ståle Solbakken no comando da Noruega “no momento certo”. O país volta a um Mundial em 2026, e o ex-atacante se vê preparado para liderar uma geração que reúne Erling Haaland (Manchester City) e Martin Ødegaard (Arsenal).
Conclusão: a entrevista ilumina a evolução de Solskjaer de artilheiro decisivo a técnico com metodologia própria, ancorada em dados e gestão de pessoas. Enquanto a vaga na seleção norueguesa não se abre, o profissional segue estudando — e o mercado observa um treinador cujo histórico indica capacidade de potencializar jovens talentos e competir em alto nível.
Com informações de BBC Sport