Milão (12.mar.2026) – Um dos pilares da Internazionale nas últimas conquistas, Nicolò Barella vive uma temporada estatisticamente sólida, mas com impacto direto menor: até aqui são 1 gol e 5 assistências em 2025/26. A discrepância entre volume de jogo e protagonismo ofensivo levanta o questionamento de por que o meia, que já chegou a marcar 9 gols em 2022/23, aparenta estar abaixo do esperado mesmo com a Inter liderando a Serie A com 67 pontos, sete à frente do Milan.
Por que a produção de Barella parece ter encolhido
Segundo levantamento da Gazzetta dello Sport, vários indicadores de criação de Barella permanecem entre os melhores do campeonato. O problema central, apontado pelo jornal, é a falta de consistência na tomada de decisão. A alternância entre jogadas excessivamente arriscadas e momentos de menor participação tem diluído sua influência em lances decisivos.
Nesse contexto, o técnico Christian Chivu precisou substituí-lo antes do fim em partidas como o dérbi contra o Milan – algo incomum para um titular que iniciou 22 dos 25 jogos da liga.
Raio-X dos números de 2025/26
Participação em criação
- 2º em passes decisivos na Serie A: 22 (Dimarco lidera com 23)
- 1º em passes completos em profundidade: 69
- 2º em passes em profundidade totais: 29
- 2º em chances criadas: 13
Produção final
- Gols: 1 (pior marca da carreira, se mantida)
- Assistências: 5
- Média de finalizações por jogo: menor em relação a 2024/25 (dado público da Serie A aponta queda de 1,6 para 1,1)
Onde o encaixe tático pesa
Barella continua atuando como mezzala direita no 3-5-2 nerazzurro. Com a saída de pressão concentrada em Çalhanoğlu e Dimarco, o italiano passou a receber a bola mais adiantado, mas já em zonas congestionadas. Isso:
- Reduz espaços para infiltração, tradicional ponto forte do atleta.
- Aumenta a exigência de passes verticais de alto risco, explicando o volume de passes-chave, porém com menor taxa de acerto na última bola.
Além disso, a carga defensiva de Barella cresceu para compensar a idade avançada de Mkhitaryan e as subidas agressivas dos alas, o que pode minar sua energia em momentos decisivos do último terço.
O que Chivu pode ajustar
1. Rotação controlada: preservar Barella de partidas de menor tensão pode evitar oscilações físicas evidenciadas nos 90 minutos completos (apenas 9 jogos).
Imagem: IMAGO
2. Reposicionamento situacional: alternar para um 3-4-2-1, deixando Barella como meia por dentro ao lado de Çalhanoğlu, o libera para atacar a área – cenário em que alcançou os 9 gols de 2022/23.
3. Aumentar a sinergia com o corredor direito: a presença frequente de Dumfries ou Bellanova abrindo o campo reduz a marcação dobrada que o camisa 23 tem enfrentado.
Impacto para a reta final da Serie A e Champions
A Inter encara a Atalanta no sábado (14/03), às 11h. Com sete pontos de vantagem, um Barella mais contundente pode acelerar a definição do Scudetto e, principalmente, agregar impacto na Champions League, onde a equipe depende de suas infiltrações para surpreender linhas altas.
Se Chivu conseguir recuperar o “Barella das chegadas na área”, a Inter ganha um segundo fio de ameaça além de Dimarco. Caso contrário, a liderança pode até se sustentar, mas o teto competitivo nos mata-matas continentais ficará limitado.
Conclusão prospectiva: os dados mostram que Barella continua um gerador de volume criativo, porém precisa transformar esse volume em ações decisivas. Como o calendário afunila, a gestão física e o ajuste posicional desenharão o quão determinante o italiano será no sprint final por títulos.
Com informações de Trivela