Doha (QAT), 16/12/2025 — O francês Ousmane Dembélé, atacante do Paris Saint-Germain, chega como favorito à cerimônia do The Best FIFA Football Awards 2025, marcada para esta terça-feira na capital do Catar. A premiação coloca o jogador no centro de um debate que vai além do troféu: a mudança de perfil dos grandes protagonistas do futebol mundial nos últimos 20 anos.
Como chegamos a um The Best sem superestrelas absolutas?
Entre 2008 e 2021, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo monopolizaram 12 das 14 estatuetas distribuídas pela FIFA, criando um patamar de excelência quase inalcançável. Em 2025, porém, a lista final — Dembélé, Hakimi, Kane, Mbappé, Nuno Mendes, Cole Palmer, Pedri, Raphinha, Salah, Vitinha e Lamine Yamal — não traz nenhum nome com a dominância estatística que a dupla exerceu na década passada.
O cenário atual valoriza sistemas coletivos mais compactos e a distribuição de protagonismo dentro das equipes. O PSG é exemplo paradigmático: avançou linhas, passou a pressionar alto em bloco e encontrou em Dembélé um executante de amplitudes que cria superioridades numéricas no terço final. Esse ajuste tático foi determinante para a conquista inédita da UEFA Champions League 2024/25 e fez do francês a peça-chave do sucesso parisiense.
Comparativo histórico: 2005, 2015 e 2025
2005 — Ronaldinho, Lampard, Eto’o… Aquele onze era pautado por talentos que desequilibravam no drible ou na construção individual. Dos finalistas, apenas Maldini e Ballack tinham perfil mais sistêmico.
2015 — Messi, Cristiano, Neymar… A lista mesclava superestrelas com alta produção ofensiva e jogadores de primeira linha em suas posições (Neuer, Iniesta).
2025 — Dembélé & Cia. Desta vez, todos pertencem a ambientes coletivos muito bem estruturados, sem uma figura que concentre estatísticas e holofotes como faziam Messi ou CR7. O resultado é um top 11 considerado por analistas menos espetacular individualmente, mas mais equilibrado taticamente.
Raio-X de Ousmane Dembélé
- Posição: ponta direita, atuando também como meia articulador pelo corredor.
- Partidas em 2024/25: 48 (todas as competições).
- Gols/Assistências: 15 / 18 — participação direta em 0,69 gol por jogo (dados PSG).
- Dribles certos: 4,2 por jogo na Ligue 1 — líder do campeonato segundo a Opta.
- Ocasiões criadas: 91 — maior marca do elenco parisiense.
- Títulos em 2025: Champions League, Ligue 1 e Supercopa da França.
O índice de criação de chances explica o favoritismo: Dembélé agrega profundidade pela direita, arrasta a marcação para liberar Mbappé no centro e acelera transições. Seu expected assists (xA) de 0,38 por jogo é o mais alto entre os 11 finalistas, reforçando o peso coletivo de sua contribuição.
Imagem: Internet
Impacto para PSG e para o futebol europeu
Com a Champions conquistada, o PSG consolida o modelo de jogo que Luis Enrique implementou — posse alta, triangulações nos corredores e pressão pós-perda agressiva. Manter Dembélé em forma é crucial para repetir esse padrão na defesa do título continental e na tentativa de triplete nacional em 2026.
No cenário macro, a ausência de um “monarca” estatístico pode aumentar a rotatividade de premiados nos próximos anos, estimulando investimentos em processos de jogo em vez de contratações pontuais de grandes nomes. Clubes como Manchester City, Barcelona e Bayern já aceleram departamentos de análise de desempenho para acompanhar a tendência.
Perspectiva: Se confirmar o favoritismo, Dembélé será lembrado como o primeiro vencedor da era pós-Messi/CR7. Mais do que um nome no troféu, o fato simboliza a virada para o futebol da inteligência coletiva. Os próximos meses mostrarão se o equilíbrio permanecerá ou se algum outro talento emergirá para reabrir a discussão sobre hegemonia individual.
Com informações de ESPN Brasil