Portland (EUA), 2 jan. 2026 – O brasileiro Tiago Splitter assumiu o comando técnico do Portland Trail Blazers ainda na segunda rodada da atual temporada da NBA, após o afastamento de Chauncey Billups, e já coleciona 42% de aproveitamento – a segunda melhor marca da franquia nos últimos cinco anos. Em entrevista à ESPN, o ex-pivô campeão pelo San Antonio Spurs contou os bastidores da promoção repentina e explicou o sistema de incentivo defensivo batizado de “The Box”, adotado para manter alta a intensidade no time.
Da ligação às 6h da manhã ao posto mais alto
Splitter era assistente em Portland havia poucos meses quando recebeu, às 6h, a chamada do general manager Joe Cronin oferecendo-lhe o cargo de técnico principal. O movimento ocorreu depois de Billups tornar-se alvo de investigação por suposta manipulação de jogos de pôquer. “Era meu objetivo treinar na NBA; chegou antes do esperado”, relatou o catarinense.
Por que a defesa virou prioridade imediata
A campanha 21-61 da temporada passada expôs o setor defensivo de Portland, penúltimo da liga em rating (119,1 pontos sofridos por 100 posses, dado Basketball Reference). A solução de Splitter foi ousar: pressão de quadra inteira em 20% das posses, quase quatro vezes a média da NBA, para acelerar o ritmo e gerar erros adversários.
“The Box”: gamificação para elevar a intensidade
Em vez da clássica faixa de campeão ou corrente de aço comum em vestiários, Splitter criou uma caixa de acrílico onde, a cada vitória, o melhor defensor insere seu nome e estatísticas. Quem liderar o ranking ao fim da fase regular receberá um “prêmio misterioso”. A iniciativa mira manter engajados atletas como Toumani Camara (All-Defensive 2nd Team em 2024-25), Jrue Holiday e Matisse Thybulle.
Impacto das lesões e adaptações ofensivas
O treinador tem lidado com baixas relevantes no backcourt: Scoot Henderson (torção no tornozelo) e Jrue Holiday (distensão no adutor) perderam mais de 25 jogos combinados. A alternativa foi dar a Shaedon Sharpe e Deni Avdija responsabilidades de criação pouco usuais para alas, reduzindo o número de set plays e privilegiando transição.
Raio-X da campanha
Recorde 2025-26: 17-23 (42%)
Média de pontos sofridos: 113,4 (16ª da NBA; em 2024-25 era 118,8 – 28ª)
Forcing turnover rate: 15,9% (4ª da liga)
Uso de full-court press: 20,3% das posses (maior frequência registrada pelo Second Spectrum desde 2018)
Jogadores mais votados na “The Box”: Toumani Camara (6), Matisse Thybulle (4), Jrue Holiday (3)
Imagem: Internet
O que muda na tabela e nos próximos compromissos
Com duas vitórias nos últimos três jogos (sobre Celtics e Mavericks), Portland entrou na zona de play-in do Oeste (10º lugar). O calendário imediato, porém, inclui quatro adversários com aproveitamento acima de 55%, começando neste sábado (4) contra o San Antonio Spurs, partida que marcará reencontro de Splitter com a franquia onde conquistou o anel em 2014.
Perspectiva: defesa como identidade para 2026
Se manter o ritmo de 42% até o fim, os Blazers podem fechar a temporada com 34-35 vitórias — patamar que costuma bastar ao play-in na Conferência Oeste. A consolidação da “The Box” como cultura defensiva e o retorno saudável dos armadores titulares serão os fatores-chave para que o projeto de Tiago Splitter avance do status de surpresa tática para candidatura real aos playoffs.
Com informações de ESPN Brasil