Buenos Aires (14.mar.2026) — O meia-atacante Tomás Aranda, 19 anos, estreou como titular do Boca Juniors no triunfo por 3 × 0 sobre o Lanús, em 4 de março, e recebeu comparações com Lionel Messi e Ángel Clemente “Rojitas” Rojas. O jovem, que já havia debutado nos profissionais em janeiro contra o Estudiantes, ganhou sequência sob o comando de Claudio Úbeda e passa a ser apontado como peça-chave para suprir a falta de um armador na equipe xeneize.
Por que o Boca precisava de um novo armador?
A saída de bola do Boca vinha concentrada nos volantes de contenção e nos laterais, resultando em transições previsíveis pelo corredor. Desde 2024, o clube buscava um articulador que recebesse entrelinhas e acelerasse o ataque. Sem esse elo, o time terminou a última Liga Profissional entre os dez que menos produziram chances claras pelo centro do campo, segundo dados oficiais da AFA. Aranda preenche exatamente essa lacuna, oferecendo:
- Condução curta em velocidade, característica rara no elenco.
- Capacidade de atrair marcação e liberar os pontas Benedetto e Merentiel.
- Visão para último passe, ponto frágil desde a saída de Edwin Cardona em 2022.
Raio-X de Tomás Aranda
Idade: 19 anos – nascido em Ciudadela, província de Buenos Aires.
Posição de origem: meia-atacante central (pode atuar aberto pela direita, cortando para dentro com a canhota).
Pé dominante: esquerdo.
Estatísticas iniciais nos profissionais (até 2 rodadas após estreia como titular):
- 3 partidas (1 como titular).
- 1 assistência registrada.
- Média de 2,3 dribles bem-sucedidos por jogo (dados de monitoramento interno do clube divulgados à imprensa).
- 86 % de acerto nos passes no terço final.
Comparação com Rojitas e o “selo Messi”
O jornal TyC Sports relacionou Aranda a dois ícones. A analogia a Messi é hiperbólica, mas destaca a semelhança física e o drible curto. Já o paralelo com Ángel Clemente Rojas é mais tático: ambos estrearam às vésperas dos 19 anos, magros, de baixa estatura e responsáveis por aumentar a criatividade de times historicamente físicos. Rojitas virou referência dos anos 1960; Aranda, ainda em início de carreira, exibe:
- Uso recorrente do corpo para proteger a bola antes do giro, lembrando movimentos de Messi no início no Barcelona.
- Drible de finta curta, característico de Rojitas, para quebrar linhas sem velocidade pura.
O encaixe no 4-3-3 de Claudio Úbeda
Úbeda tem alternado o 4-3-3 com um 4-2-3-1. Nos dois cenários, Aranda atua como meia central adiantado:
- 4-3-3: joga em um dos interiores, abrindo espaço para Paredes atuar como “regista”. Quando baixa para receber, forma losango temporário que potencializa o passe vertical de Valentín Barco na esquerda.
- 4-2-3-1: assume a faixa central do trio de meias, aproximando-se do centroavante Merentiel. A presença entrelinhas arrasta marcadores e facilita infiltrações dos extremos.
Impacto imediato na produção ofensiva
Desde que ganhou minutos, o Boca subiu a média de finalizações dentro da área de 8,1 para 10,4 por jogo, conforme levantamento da plataforma Wyscout das duas rodadas mais recentes da Copa da Liga. Aranda participou de 38 % das jogadas que terminaram em finalização, índice que nenhum outro meia sub-20 do campeonato alcançou nesse período.
Imagem: Internet
Próximos passos e riscos de gestão
A tendência é que Úbeda mantenha Aranda no time durante a sequência contra Huracán e River Plate. O clube projeta limitar sua carga a 70 minutos por jogo nas próximas três rodadas, estratégia comum na integração de talentos da base. O maior desafio será protegê-lo fisicamente e blindar-lo das comparações exageradas para permitir desenvolvimento progressivo.
Conclusão prospectiva: Se Aranda sustentar o nível de participação ofensiva e ampliar o repertório de finalização, o Boca Juniors pode resolver um problema estrutural de criatividade sem recorrer ao mercado — e ainda capitalizar financeiramente em uma futura venda. Os próximos confrontos servirão como termômetro de maturidade para o garoto que, por ora, já mudou a dinâmica do meio-campo xeneize.
Com informações de Trivela














