Tottenham 1 x 3 Crystal Palace – 05/03/2026, Tottenham Hotspur Stadium, Londres.
O Tottenham sofreu a quinta derrota consecutiva na Premier League ao levar uma virada em quatro minutos para o Crystal Palace, resultado que manteve o time de Igor Tudor sem vitórias em 2026 e apenas um ponto acima da zona de rebaixamento.
Como a partida desandou em quatro minutos
O enredo começou favorável aos Spurs. Aos 34 minutos, Dominic Solanke conferiu após jogada pela esquerda e colocou os mandantes na frente. Quatro minutos depois, porém, tudo mudou: Micky van de Ven cometeu falta em situação clara de gol e recebeu cartão vermelho direto. A inferioridade numérica forçou Tudor a sacrificar o estreante brasileiro Souza, lateral ex-Santos, para recompor o setor defensivo.
Com um jogador a mais, o Palace adiantou linhas, aumentou a pressão e virou ainda antes do intervalo. Ismaïla Sarr empatou aos 42 e marcou novamente nos acréscimos; entre os dois gols, Larsen apareceu livre na pequena área para fazer 3 a 1. O cronômetro marcava 45+2 quando parte da torcida começou a deixar o estádio.
Raio-X da crise dos Spurs
- Sequência negativa: 5 derrotas consecutivas na Premier League, a pior série do clube desde 2004/05.
- Pontos em 2026: 0 em 6 partidas (0% de aproveitamento).
- Classificação: 16.º lugar, 29 pontos em 29 rodadas; o West Ham, primeiro dentro do Z-3, tem 28.
- Gols sofridos na sequência ruim: 12, média de 2,4 por jogo.
- Expulsões: Van de Ven tornou-se o terceiro atleta do elenco expulso desde janeiro, sinal de indisciplina que agrava a fragilidade coletiva.
Onde o plano tático falhou
O Tottenham iniciou no habitual 4-3-3, apostando em amplitude pelos lados com Solanke centralizado. A expulsão obrigou uma transição emergencial para um 4-4-1, mas a recomposição demorou: os extremos passaram a ficar isolados e o meio-campo perdeu capacidade de retenção. O Palace, que alterna 4-2-3-1 e 4-3-3 sob Oliver Glasner, explorou exatamente esse vazio entre linhas, empilhando finalizações de média distância e chegadas pelas costas dos volantes.
Impacto na tabela e cálculo de risco
Com 29 pontos, o Tottenham tem 33,3% de aproveitamento. Mantida essa média, chegaria a 38 pontos ao fim das 38 rodadas – marca que, nos últimos cinco campeonatos, foi insuficiente para escapar da queda em três ocasiões. A zona de rebaixamento, portanto, deixou de ser ameaça teórica.
Agenda imediata pressiona ainda mais
Nos próximos 13 dias, os Spurs enfrentam:
- 10/03 – Atlético de Madrid (fora) – Champions League, oitavas de final.
- 15/03 – Liverpool (fora) – Premier League.
- 18/03 – Atlético de Madrid (casa) – Champions League.
Dois confrontos de mata-mata com o Atlético exigirão concentração defensiva que o time não demonstra desde dezembro, enquanto a visita a Anfield opõe a pior fase do Tottenham ao segundo melhor ataque da liga.
Imagem: Internet
O que precisa mudar – cenários futuros
Sem janela de transferências aberta, resta a Igor Tudor trabalhar ajustes internos. A tendência é o retorno de uma linha de cinco defensores contra adversários tecnicamente superiores, buscando reduzir o espaço entre zaga e meio. Também é provável que Yves Bissouma seja recuado para atuar quase como terceiro zagueiro na saída de bola, solução utilizada ainda sob o antecessor Ange Postecoglou e que rendeu estabilidade em 2025.
Se conquistar 4 dos próximos 6 pontos disponíveis na liga, o Tottenham volta a respirar; caso contrário, chegará à pausa internacional inserido no Z – 3 – cenário que mudaria completamente a gestão da temporada e até mesmo o futuro de alguns nomes do elenco.
Conclusão prospectiva: A virada sofrida para o Crystal Palace cristaliza a transformação do Tottenham de candidato a competições europeias a ameaçado de rebaixamento em menos de três meses. A resposta nas próximas três partidas, especialmente diante do Liverpool, indicará se a equipe conseguirá estancar a sangria ou se a luta contra a degola será o novo normal em Londres até maio.
Com informações de ESPN.com.br