Rio de Janeiro (14/02/2026) – O fundo norte-americano Ares Management notificou oficialmente John Textor de que dispõe de duas semanas para quitar €250 milhões (R$ 1,54 bilhão) ainda pendentes do empréstimo contratado em 2022 para a compra do Olympique Lyonnais. Caso o pagamento não ocorra, a gestora poderá recorrer à Justiça europeia e à DNCG – órgão que regulamenta as finanças do futebol francês – para forçar a venda de ativos da Eagle Football Holding, incluindo Botafogo, Lyon e Molenbeek.
Entenda a cobrança do Ares Management
Em 2022, a Eagle Football contraiu €425 milhões junto ao Ares para assumir o controle do Lyon. Até agora, apenas €175 milhões retornaram ao credor, quantia viabilizada após Textor negociar sua participação no Crystal Palace em 2025. O atraso ativou uma cláusula de “aceleração de dívida”, que permite ao Ares exigir a totalidade do saldo em aberto imediatamente.
Efeito dominó: por que o Botafogo entrou na mira
Antes de ser afastado do conselho da Eagle em 28 de janeiro, Textor tomou um novo empréstimo, desta vez em nome do Botafogo SAF, junto ao Hutton Capital, entidade não homologada pela DNCG. Para o Ares, a operação viola restrições pactuadas em 2022, abrindo caminho para pleitear a alienação de clubes controlados pela holding como forma de ressarcimento.
Raio-X financeiro da Eagle Football
- Dívida original: €425 mi (2022)
- Amortização realizada: €175 mi (venda Crystal Palace, 2025)
- Saldo em aberto: €250 mi
- Clubes na carteira: Lyon (FRA), Botafogo (BRA), RWD Molenbeek (BEL)
- Passo seguinte do Ares: acionar tribunais e DNCG para tomar controle ou obrigar venda dos clubes
Calendário imediato do Botafogo: o que está em jogo
Enquanto a questão societária avança nos bastidores, o elenco alvinegro encara uma sequência decisiva:
- 12/02 – Fluminense (Brasileirão, fora)
- 15/02 – Flamengo (Carioca, casa)
- 18/02 – Nacional Potosí (Libertadores, fora)
Imagem: Internet
Resultados positivos podem gerar fluxo adicional de premiação e bilheteria, reforçando o cash flow do SAF. No entanto, eventual intervenção judicial que bloqueie receitas ou imponha nova administração teria impacto direto nas finanças de curto prazo, sobretudo em competições que exigem inscrição de atletas e cumprimento de fair play financeiro.
O que pode acontecer a seguir
No Lyon, fontes francesas já tratam a entrada do Ares na gestão do clube como “iminente”, com a atual presidente Michele Kang participando das tratativas de reestruturação. Caso o mesmo modelo seja replicado no Brasil, o Botafogo poderia ver parte ou a totalidade das ações da SAF ir a leilão, cenário que alteraria o planejamento esportivo iniciado em 2022 com a chegada de Textor.
Conclusão prospectiva: As próximas duas semanas funcionarão como um cronômetro para o futuro do conglomerado de John Textor. Se o aporte de €250 milhões não ocorrer, o Ares Management dispõe de base contratual para solicitar a venda compulsória dos ativos mais valiosos da Eagle Football. Para o Botafogo, isso significa incerteza sobre orçamento, comando e até políticas de reforços já na janela de meio de ano, tornando cada movimentação nos bastidores determinante para a temporada de 2026.
Com informações de ESPN Brasil