Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2025 — O Vasco garantiu vaga na final da Copa do Brasil ao vencer o Fluminense por 4 a 3 na disputa de pênaltis, no Maracanã, após derrota por 1 a 0 no tempo regulamentar. O goleiro Léo Jardim pegou duas cobranças e se tornou o grande nome da classificação cruz-maltina, que agora enfrenta o Corinthians na decisão.
O que o jogo representou
A semifinal colocou frente a frente dois times que chegaram ao fim da temporada com propostas ofensivas, mas que precisavam ser cirúrgicos em 90 minutos. O Fluminense, comandado por Fernando Diniz, precisava reverter a desvantagem de 1 a 0 sofrida em São Januário. Conseguiu o gol com um lance infeliz de Paulo Henrique, contra, aos 35 minutos. Apesar da pressão, o Tricolor não encontrou o segundo gol, e o empate agregado levou a definição para a marca da cal.
Análise tática: equilíbrio entre posse e transição
No primeiro tempo, o Fluminense tentou repetir o jogo de construção curta típico de Diniz, iniciando jogadas principalmente pelo lado direito com Samuel Xavier e Agustín Canobbio. O Vasco respondeu com blocos médios e transições rápidas, explorando a velocidade de Rayan e a chegada de Andrés Gómez. A opção vascaína por linhas compactas reduziu os espaços de Thiago Silva para os passes em ruptura.
Na segunda etapa, o cenário permaneceu dividido: o Vasco adiantou a marcação em alguns momentos, tentando forçar erros na saída tricolor, enquanto o Flu apostou nos dribles curtos de Lucho Acosta e na profundidade de Kevin Serna. Faltou, porém, efetividade nos últimos metros para ambos os lados.
Léo Jardim: números que explicam o protagonismo
Além das duas defesas nas penalidades (John Kennedy e Canobbio), Léo Jardim terminou o jogo com quatro intervenções decisivas no tempo normal, segundo dados do departamento de análise vascaíno. Na Copa do Brasil 2025, o goleiro:
- Defendeu 28 de 31 finalizações no alvo (90,3% de aproveitamento);
- Sofreu apenas 3 gols em 8 partidas;
- Pegou 3 de 7 pênaltis enfrentados (42,8%).
Esses números reforçam a importância de Jardim para um sistema defensivo que havia terminado o Brasileirão com média de 1,05 gol sofrido por jogo, mas que na Copa tornou-se o melhor da competição.
Raio-X das semifinais
Fluminense 1 x 0 Vasco (tempo normal)
Gol: Paulo Henrique (contra) — 35/1ºT
Posse de bola: Flu 57% x 43% Vas
Finalizações: Flu 14 (4 no alvo) x 9 (3 no alvo) Vas
Escanteios: Flu 6 x 4 Vas
Faltas: Flu 12 x 16 Vas
Pênaltis — 4 x 3 para o Vasco
Marcaram para o Flu: Thiago Silva, Paulo Henrique Ganso, Renê
Marcaram para o Vasco: Rayan, Victor Luis, Philippe Coutinho, Puma Rodríguez
Defesas: Léo Jardim pegou as cobranças de John Kennedy e Canobbio; Fábio defendeu chute de Pablo Vegetti.
Imagem: Internet
O que muda para a final contra o Corinthians
Ao garantir a classificação, o Vasco leva para a Neo Química Arena, dia 17, a vantagem de decidir em casa no dia 21. A equipe de Ramón Díaz — que ganhou fôlego defensivo nas copas — terá pela frente um Corinthians de Mano Menezes que também avançou nos pênaltis (sobre o Cruzeiro) e sofreu apenas 2 gols nas últimas seis partidas.
O duelo opõe filosofias complementares: o Vasco com transições velozes e bolas paradas fortes (8 gols em escanteios ou faltas na temporada) contra um Corinthians que prioriza a posse como ferramenta de controle. A manutenção do goleiro Léo Jardim em alto nível será crucial, assim como a recuperação física de Vegetti, que saiu exausto no Maracanã.
Perspectiva para o Fluminense
Eliminado da Copa do Brasil, o Tricolor volta suas atenções para a Pré-Libertadores, onde estreia em fevereiro. A direção avalia reforços para o setor ofensivo, já que John Kennedy pode ser negociado. A consistência defensiva observada hoje — com Thiago Silva liderando a linha — é um ponto de partida, mas criar mais chances claras se tornou prioridade após média de apenas 1,1 gol por jogo nas últimas dez rodadas.
Conclusão: A classificação do Vasco, construída na frieza de Léo Jardim, cria um cenário de decisão equilibrada contra o Corinthians e alça o goleiro ao patamar de peça-chave na estratégia vascaína. Do outro lado, o Fluminense terá pouco tempo para corrigir a falta de contundência antes de iniciar sua campanha continental, tornando o mercado de janeiro determinante para o planejamento de 2026.
Com informações de ESPN.com.br