Cidade do México, 8 de julho de 2025 – A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), desencadeou uma série de confrontos armados que já atinge ao menos 12 estados mexicanos e lança dúvidas sobre a capacidade do país de garantir a segurança da Copa do Mundo Fifa 2026, que será coorganizada com Estados Unidos e Canadá.
Escalada de violência e cidades afetadas
O epicentro dos distúrbios é o estado de Jalisco, atualmente em “código vermelho” de segurança. Vídeos publicados nas redes mostram queimadas de veículos e bloqueios de rodovias em Guadalajara – metrópole que receberá quatro partidas do Mundial. Além dela, Cidade do México (cinco jogos) e Monterrey (quatro jogos) também estão em alerta após registros de caravanas armadas se deslocando pelo interior.
Por que o CJNG reage dessa forma?
Segundo especialistas em criminalidade organizada, a morte de El Mencho cria um vácuo de poder dentro de uma organização avaliada em mais de US$ 10 bilhões e com dezenas de milhares de integrantes. A reação ostensiva serve para evitar a percepção de fraqueza, sinal crucial na lógica dos cartéis. O uso estratégico de redes sociais, que amplia o alcance das imagens de violência, faz parte dessa “demonstração de força”.
Impacto na preparação para a Copa do Mundo
• Logística de torcedores: companhias aéreas canadenses já cancelaram voos para Puerto Vallarta, enquanto aplicativos de rastreamento mostram aeronaves retornando aos pontos de origem em plena temporada de testes operacionais dos aeroportos-sede.
• Calendário doméstico: no último domingo, quatro partidas dos campeonatos mexicano (Liga MX e Liga de Expansión) foram adiadas. A interrupção gera incertezas sobre a validade dos protocolos de evacuação que seriam aplicados durante o Mundial.
• Credibilidade internacional: autoridades norte-americanas manifestam preocupação com a “militarização” da segurança interna, tema já sensível após a polêmica atuação de agentes federais dos EUA em solo americano.
Raio-X da segurança no México
Homicídios: o país registrou média de 28 a 30 homicídios por 100 mil habitantes entre 2018 e 2023 (Inegi).
Operações contra cartéis: desde 2020, mais de 40 líderes de alto escalão foram capturados ou mortos, segundo a Secretaria de Segurança.
Força policial para 2026: o comitê organizador local estima o emprego de 90 mil agentes federais, estaduais e municipais durante o torneio, além de 1.500 câmeras adicionais em áreas turísticas.
Cenários possíveis para os próximos meses
Cenário de estabilização: se a sucessão dentro do CJNG ocorrer rapidamente, especialistas preveem redução dos confrontos já nas próximas semanas, permitindo retomada dos eventos-teste da Fifa.
Cenário de fragmentação: disputa interna prolongada pode espalhar focos de violência para corredores turísticos como a Rota Tequila e o entorno do Estádio Akron, impactando diretamente a experiência do torcedor.
Resposta governamental: o governo mexicano sinaliza reforço militar temporário nas três cidades-sede, medida que será acompanhada de perto por Fifa, Concacaf e pelos países co-anfitriões.
Imagem: Internet
O que observar a seguir
Os organizadores da Copa do Mundo 2026 deverão apresentar, até o fim do trimestre, um relatório de risco atualizado à Fifa. A forma como México, EUA e Canadá alinharão protocolos conjuntos de segurança será decisiva para manter a confiança de patrocinadores, seleções e torcedores. A normalização do calendário da Liga MX e o restabelecimento dos voos internacionais para Jalisco serão indicadores práticos de que a situação caminha para a estabilidade.
Conclusão prospectiva: A coesão do esquema de segurança trilateral e a rapidez na contenção da violência serão determinantes para que Guadalajara, Cidade do México e Monterrey continuem como palcos centrais do Mundial. Qualquer atraso na pacificação poderá reabrir discussões sobre realocar partidas ou mesmo rever rotas turísticas, tema que deve permanecer no radar dos próximos boletins de preparação.
Com informações de BBC Sport