Manchester (ING), 28/05/2025 – O ex-meio-campista Yaya Touré revelou que sua convivência com Pep Guardiola foi marcada por atritos e que o treinador “finge que não tem problema com jogadores negros”. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta quarta-feira (28), explicando a queda de braço que se estendeu desde os tempos de Barcelona até o fim de sua passagem pelo Manchester City.
De Barça a City: onde começou o atrito?
Touré trabalhou com Guardiola em duas ocasiões: no Barcelona, entre 2008 e 2010, e no Manchester City, de 2016 a 2018. Em ambas, perdeu espaço gradativamente no elenco. No Barça, foi negociado ao fim da temporada 2009/10, mesmo após atuar em 34 partidas do triplete histórico de 2008/09. No City, disputou apenas 17 jogos de Premier League nas duas últimas temporadas com Pep, antes de sair sem renovação.
Raio-X de Yaya Touré sob o comando de Guardiola
- Barcelona (2008-2010): 74 jogos, 4 gols, 5 assistências, 5 títulos.
- Manchester City (2016-2018): 46 jogos, 8 gols, 3 assistências, 1 título de Premier League.
- Queda de minutagem: de 2 851 minutos em 2008/09 para 954 em 2009/10 (Barça); de 2 472 minutos em 2015/16 – com Manuel Pellegrini – para 1 450 em 2016/17 e somente 360 em 2017/18 (City).
Impacto das declarações no debate sobre diversidade
As palavras de Touré reforçam discussões sobre representatividade e inclusão racial na elite do futebol europeu. A Premier League, por exemplo, tem hoje 43 % de atletas negros ou afrodescendentes, mas apenas 10 % dos técnicos pertencem a grupos étnicos minoritários. Clubes e ligas já adotam programas de mentoria e exigências de entrevistas (modelo “Rooney Rule”) para ampliar diversidade no comando técnico.
Resposta do técnico e possíveis desdobramentos
Até o fechamento deste texto, Guardiola não havia se pronunciado sobre a nova crítica. Historicamente, o treinador nega qualquer preconceito, apontando para seu trabalho com atletas como Samuel Eto’o, Lionel Messi (de origem afro-argentina) e Raheem Sterling. Caso Pep volte a rebater Touré, o episódio tende a ganhar repercussão nas coletivas pré-jogo do Manchester City e nos dossiers de compliance da UEFA sobre igualdade racial.
O que muda daqui para frente?
Mesmo aposentado, Touré é treinador assistente no Tottenham Sub-21 e sua fala pode influenciar futuros vestiários. Já Guardiola, cotado para renovar com o City até 2027, verá a questão ser usada como termômetro da cultura interna do clube. Entidades como a Professional Footballers’ Association (PFA) devem monitorar o caso, podendo recomendar workshops de diversidade para comissões técnicas.
Imagem: Pep Guardiola
Em síntese, a entrevista reacende um tema sensível no futebol de alta performance: o equilíbrio entre gestão de elenco e igualdade racial. Se confirmada uma nova resposta pública de Guardiola, esta poderá influenciar programas de inclusão em grandes ligas e moldar a percepção de liderança do treinador nos próximos ciclos competitivos.
Com informações de BandSports