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    O dia que Zico quase pensou em parar de jogar futebol: ‘Artilheiro, campeão e não fui convocado’

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    RIO DE JANEIRO (RJ) — Zico, maior ídolo da história do Flamengo, confidenciou ao programa Resenha, que vai ao ar nesta sexta-feira (7), às 22h, no Disney+, que quase pendurou as chuteiras em 1972. O motivo: a surpreendente ausência na lista do técnico Vicente Feola para os Jogos Olímpicos de Munique, mesmo após ter sido artilheiro do Torneio Pré-Olímpico Sul-Americano no ano anterior.

    Da promessa rubro-negra ao corte inesperado

    No início de 1972, Zico tinha apenas 19 anos, mas já era apontado como a grande joia da base flamenguista. Em 1971, seu desempenho no Pré-Olímpico disputado no Paraguai — torneio vencido pelo Brasil — alimentou a expectativa de que o meia conduzisse a Seleção Olímpica na Alemanha.

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    Quando a convocação definitiva saiu sem o seu nome, o baque foi tão grande que o jovem Arthur Antunes Coimbra cogitou abandonar o futebol para dedicar-se aos estudos. A lembrança do irmão Edu, que encerrara a carreira precocemente por uma “injustiça” semelhante, reforçou a frustração. “Cheguei em casa e falei para o meu pai que não queria mais jogar”, relembrou o Galinho.

    Entendendo o contexto da época

    Até os Jogos de 1984, o COI só permitia a participação de atletas “semiprofissionais”, regra que gerava interpretações diversas no Brasil. Clubes e treinadores oscilavam entre liberar ou não seus principais talentos, e a CBF preenchia vagas com jogadores considerados mais “amadores”. Neste cenário, decisões técnicas e políticas pesavam tanto quanto o talento dentro de campo.

    Raio-X: números de Zico antes da decepção

    • Pré-Olímpico 1971: 6 gols em 8 jogos (artilheiro brasileiro do torneio).
    • Flamengo 1971: 17 jogos, 11 gols (incluindo Carioca e amistosos oficiais).
    • Títulos na base: Campeão carioca juvenil (1970) e Torneio Pré-Olímpico (1971).

    Mesmo com esse histórico, a primeira equipe profissional do Flamengo em 1972 foi orientada por Paulo Amaral, que inicialmente não contava com Zico no elenco principal. Sem espaço, o meia voltou a atuar na base até voltar a ser aproveitado com a chegada do técnico Antoninho.

    Superação e maturação tática

    A experiência de rejeição reforçou dois traços marcantes da carreira de Zico: resiliência mental e aprimoramento técnico. De volta aos profissionais em 1973, o camisa 10 aprimorou a batida de faltas — ponto que viria a decidir confrontos nacionais e internacionais — e aumentou a mobilidade para jogar entre linhas, algo incomum para meias da época no Brasil.

    O dia que Zico quase pensou em parar de jogar futebol: ‘Artilheiro, campeão e não fui convocado’ - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Impacto futuro: da quase desistência às Copas do Mundo

    O desfecho é conhecido: Zico tornou-se peça-chave da Seleção Brasileira em três Copas (1978, 1982 e 1986) e construiu números que o colocam entre os maiores artilheiros da história do Flamengo, com 508 gols em 732 partidas oficiais. O episódio de 1972 transformou-se em combustível para uma trajetória marcada pela busca constante de excelência.

    O relato serve de alerta sobre como decisões de curto prazo podem alterar carreiras inteiras. Hoje, a CBF mantém departamentos específicos de análise de desempenho e acompanhamento psicológico justamente para reduzir o risco de perder talentos promissores no meio do caminho. O caso de Zico, quase meio século depois, continua atual.

    Próximo capítulo: Com a exibição do Resenha, espera-se que novos bastidores sobre a formação da “Geração 80” rubro-negra (que conquistou Libertadores e Mundial em 1981) sejam revelados. O conteúdo pode esclarecer como a estrutura do clube evoluiu após a traumática experiência de seu principal ídolo, apontando caminhos para as categorias de base atuais.

    Com informações de ESPN Brasil

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