Porto Alegre, 3 de novembro de 2025 — O jornalista esportivo Rica Perrone utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira para atacar a proposta do candidato Paulo Caleffi, que promete “uma contratação maior que a de Luis Suárez” caso seja eleito presidente do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Para Perrone, a estratégia se assemelha à de “Pablo Marçal”, termo que ele usa para definir campanhas consideradas populistas e desconectadas do planejamento financeiro.
Por que a promessa gera desconfiança
Ao criticar Caleffi, Rica Perrone destacou que o clube ainda não possui o orçamento consolidado para 2026 — dado normalmente divulgado apenas após a aprovação do Conselho Deliberativo, no primeiro trimestre do ano. “Você não sabe o orçamento do ano que vem, não está com ele na mão”, disse o jornalista, argumentando que oferecer reforços antes de conhecer a receita disponível “ilude o torcedor no ponto mais vulnerável”.
O peso financeiro e esportivo de Luis Suárez
Contratado em dezembro de 2022, Suárez disputou 54 partidas pelo Grêmio em 2023, marcando 29 gols e distribuindo 11 assistências em todas as competições. Seu salário, estimado pela imprensa em cerca de R$ 2 milhões mensais, foi parcialmente bancado por parceiros comerciais e alavancou não apenas o desempenho em campo, mas também marketing, venda de camisas e novas ativações de patrocínio.
Para superar esse patamar, o próximo presidente teria de:
- Encontrar jogador com reconhecimento global similar ou maior.
- Viabilizar um pacote anual possivelmente acima de R$ 30 milhões em remuneração total.
- Adequar o investimento ao teto previsto no orçamento de futebol, que girou em torno de R$ 230 milhões em 2024, segundo o balanço preliminar.
Raio-X: balanço recente do Grêmio
- Receita total 2024 (projetada): R$ 600 mi*
- Dívida consolidada: R$ 400 mi*
- Percentual da folha de futebol no orçamento: 38 %
- Pontos críticos: renovação do elenco após saída de Suárez e reposição na zaga
*Estimativas com base em balancetes divulgados ao Conselho Deliberativo e em relatórios da Ernst & Young para clubes da Série A.
Imagem: Lucas Uebel
Impacto da eleição no planejamento esportivo
A corrida eleitoral influencia diretamente as definições para 2026. Um compromisso de contratar um jogador “maior que Suárez” pode:
- Gerar expectativa elevada no torcedor e pressão imediata sobre o departamento de futebol.
- Reduzir a margem para reforços complementares — laterais, zagueiros e volantes são carências apontadas pela comissão técnica.
- Forçar o clube a buscar mecanismos de mercado (naming rights, SAF parcial ou venda de ativos) para equilibrar contas.
O que esperar nos próximos capítulos
O pleito tricolor ocorrerá em 23 de novembro, e as chapas têm até a véspera para protocolar seus planos financeiros no Conselho. Caso a promessa de Caleffi se confirme nas urnas, as primeiras semanas de gestão serão decisivas para provar a viabilidade do projeto sem comprometer o caixa. Já a oposição deve explorar o discurso de responsabilidade fiscal, apresentado como antídoto ao “populismo” denunciado por Rica Perrone. Independentemente do vencedor, a diretoria eleita precisará apresentar, logo em janeiro, as bases do elenco que disputará a Conmebol Libertadores 2026, mantendo a torcida atenta a cada movimento.
Com informações de Portal do Gremista