Boston (EUA), 26/03/2026 – A Seleção Brasileira foi superada pela França por 2 a 1 no amistoso disputado no Gillette Stadium e saiu de campo com mais do que um revés no placar: levou um banho tático que reduziu sua posse a 35% e fez o time de Carlo Ancelotti voltar a exibir os problemas da estreia do treinador.
Escalação e mudanças: Martinelli titular, defesa nova
Ancelotti manteve o híbrido 4-2-3-1 / 4-2-4, mas precisou trocar peças:
- Gabriel Martinelli assumiu a ponta esquerda no lugar do lesionado Rodrygo.
- Raphinha voltou à direita, deslocando Estêvão para o banco.
- Léo Pereira e Bremer formaram a zaga, alterando totalmente o miolo defensivo.
Do outro lado, Didier Deschamps espelhou a plataforma brasileira, mas com variações que desequilibraram o duelo logo na saída de bola.
Como a França “prendeu” o Brasil na própria intermediária
Na construção a canarinho tentava um 4-2, mas via Mbappé e Ekitiké pressionarem zagueiro a zagueiro, enquanto Dembélé e Olise fechavam linhas de passe nos volantes. Sem rota curta, restava o lançamento – repetido 27 vezes na etapa inicial, 11 deles de Léo Pereira, com apenas 18% de acerto.
No estágio defensivo, os Bleus recuavam Tchouaméni ou Rabiot para criar uma saída em três. A superioridade numérica contra Vini Júnior e Matheus Cunha fazia a bola girar com facilidade, abrindo espaço para Dembélé ou Olise receberem entrelinhas. O primeiro gol nasce justamente de um passe interceptado após essa inversão.
Raio-X do domínio francês
- Posse de bola: FRA 65% x 35% BRA
- Passes longos tentados: BRA 42 (acerto 31%) x 18 FRA (61%)
- Perdas de posse de Vinicius Jr.: 18 – maior marca da partida
- Expulsão: Upamecano aos 10’ do 2ºT; mesmo com 10, França cedeu só duas finalizações certas
Por que o 4-2-4 não funcionou desta vez?
Sem que os pontas recuassem para compor o meio – movimento que vinha marcando a era Ancelotti –, abriu-se um “vão” de quase 25 m entre linha defensiva e quarteto ofensivo. Com o corredor central travado pelo 4-1-4-1 francês, a Seleção virou refém da bola esticada, solução de baixíssimo expected threat.
Imagem: Internet
Quando Bremer saiu da linha para perseguir Ekitiké, desconfigurou a última linha e permitiu o segundo gol. A superioridade posicional da França, portanto, não foi fruto de talento individual, mas de princípios bem executados.
Impacto imediato: o que ajustar para pegar a Croácia
O próximo compromisso brasileiro é terça-feira (31/03), às 21h, contra uma Croácia que também valoriza a posse e constrói pelo corredor central. O laboratório aponta três urgências:
- Reativar a aproximação dos pontas: Vini e Raphinha precisam voltar a pisar no meio-espaço para oferecer linha de passe curta.
- Definir o parceiro de Marquinhos: Léo Pereira teve 70% de acerto nos passes (média da zaga na era Ancelotti é 93%). Há espaço para avaliação de Militão.
- Verticalizar com critério: sucessão de lançamentos sem alvo claro quebrou o ritmo. A Croácia, com Kovacic e Modric, puniu seleções que “devolvem” a posse.
Em síntese, o maior teste pré-Copa expôs um Brasil distante de seu padrão coletivo e confirmou que o modelo só funciona se as peças respeitarem as zonas de apoio e mantiverem a bola no chão. Contra a Croácia, Ancelotti ganha uma última chance de calibrar esse ajuste fino antes de encaminhar a lista final para o Mundial.
Com informações de Trivela