São Paulo, 12 de novembro de 2025 – Alex “Poatan” Pereira, campeão dos meio-pesados do UFC, respondeu nesta quarta-feira à provocação de Khamzat Chimaev, atual detentor do cinturão dos médios, propondo um duelo restrito ao grappling no recém-criado UFC BJJ. O brasileiro ainda prometeu doar 100% da bolsa para ações de caridade, enquanto seu treinador, Glover Teixeira, afirmou que aposta a própria casa na vitória do pupilo caso a superluta aconteça.
O estopim da rivalidade
A tensão começou quando Chimaev declarou, em suas redes, que seria capaz de derrotar Poatan e Glover simultaneamente. A resposta veio poucas horas depois. Poatan limitou o desafio ao grappling, área de especialidade do russo naturalizado emiradense, indicando que está disposto a sair de sua zona de conforto – marcada pela trocação – para testar o solo contra o campeão dos médios.
Por que o grappling muda o jogo?
Embora Poatan tenha construído sua carreira como um exímio striker, seu treinamento em Danbury (EUA) com Glover Teixeira vem, desde 2022, focando em defesa de queda e transições no solo. Ao aceitar um embate apenas no grappling, o brasileiro:
- Reduz a diferença de peso – lutas de BJJ costumam ter categorias mais flexíveis;
- Elimina o risco de nocaute, que é o ponto forte de Chimaev no ground-and-pound;
- Ganha visibilidade em uma nova plataforma do UFC, com potencial de gerar pay-per-view extra.
Raio-X dos atletas
- Alex Poatan Pereira
Cartel no MMA: 11-2-0
Vitórias por nocaute: 9
Takedown defense (UFC): 70%
Faixa-preta de Jiu-Jitsu desde 2024, graduado por Glover Teixeira - Khamzat Chimaev
Cartel no MMA: 14-0-0
Vitórias por finalização: 5
Quedas acertadas por 15 min: 3,1
Wrestling baseado no estilo russo, com ouro no Campeonato Sueco de Luta Livre em 2018
Glover Teixeira entra na conversa
Aposentado desde 2023, Teixeira não só endossou o desafio como disse “apostar a própria casa” se Chimaev aceitar. O ex-campeão dos meio-pesados ainda deixou claro que, caso o russo o provoque pessoalmente, topará enfrentá-lo mesmo fora do octógono. A declaração aumenta o tom emocional do possível confronto e dá peso adicional ao evento, que pode ser comercializado como “grudge match”.
Efeitos para as duas divisões do UFC
Uma luta de grappling entre campeões de categorias diferentes não altera diretamente o ranking do MMA, mas influencia:
Imagem: Internet
- Marketing cruzado: o UFC BJJ ganha tração imediata com dois campeões mundiais envolvidos;
- Plano de carreira: Chimaev adia a defesa do cinturão dos médios, o que abre espaço para contenders como Dricus du Plessis e Jared Cannonier avançarem na fila;
- Visibilidade do Brasil: Poatan mantém a tradição de múltiplos cinturões brasileiros e impulsiona o engajamento local no streaming do UFC.
O que falta para a superluta sair do papel?
O próximo passo é a negociação contratual com o Ultimate. Poatan mostrou disposição, inclusive para abrir mão da bolsa, enquanto Chimaev ainda não respondeu publicamente ao formato de grappling. Caso aceite, a expectativa interna é que o duelo seja colocado no card de estreia do UFC BJJ, projetado para o primeiro trimestre de 2026, em Abu Dhabi ou Las Vegas.
Conclusão prospectiva: se confirmada, a superluta de grappling entre Poatan e Chimaev serviria como piloto para um novo produto do UFC, agregando receita ao evento e testando a popularidade do jiu-jitsu competitivo em nível global. Além disso, o caráter beneficente da bolsa do brasileiro pode ampliar o alcance midiático, tornando o confronto um dos mais comentados do calendário de 2026.
Com informações de ESPN Brasil