Quem: Cruzeiro Esporte Clube. O quê: título da Supercopa da Libertadores de 1991. Quando: 20 de novembro de 1991 (34 anos atrás). Onde: Mineirão, Belo Horizonte. Por quê: vitória por 3 x 0 sobre o River Plate reverteu a derrota de 2 x 0 em Buenos Aires e garantiu a taça que reunia todos os campeões da Libertadores até então.
Caminhada celeste: frieza nos pênaltis e força caseira
A competição daquele ano destacou dois pilares do Cruzeiro dirigido por Ênio Andrade: a solidez defensiva e o sangue-frio nas decisões por pênaltis. Depois de abrir campanha com dois empates sem gols contra o Colo-Colo, a classificação veio na marca da cal, com 4 cobranças convertidas em 5 tentativas. Nas quartas, o 4 x 0 sobre o Nacional-URU, com hat-trick de Charles, deu vantagem suficiente para resistir à derrota de 3 x 0 em Montevidéu. Já na semifinal, a Raposa voltou a mostrar nervos de aço: dois empates diante do Olimpia e 100 % de acertos em cinco penalidades garantiram a vaga na final.
A final: estratégia, público e virada histórica
O River Plate de Daniel Passarella levava o rótulo de campeão argentino de 1990 e contava com a força do Monumental de Núñez para abrir 2 x 0 na ida. Para o duelo de volta, mais de 60 mil cruzeirenses lotaram o Mineirão — à época, um dos recordes de público do país em competições continentais.
Ênio Andrade manteve a estrutura 4-3-3, mas adiantou Marco Antônio Boiadeiro e liberou Nonato pela esquerda, criando amplitude para os atacantes Mário Tilico e Charles. O resultado foi pressão contínua, traduzida nos dois gols de Tilico e no arremate decisivo de Ademir. A defesa, liderada por Adílson Batista, não permitiu um chute sequer na direção de Paulo César Borges nos 20 minutos finais, selando o placar agregado de 3 x 2.
Raio-X da campanha
- Jogos: 8 (2 vitórias, 4 empates, 2 derrotas)
- Gols marcados: 7 | Gols sofridos: 5 | Saldo: +2
- Aproveitamento como mandante: 100 % (2 vitórias)
- Cobranças de pênalti: 9 convertidas em 9 tentadas nas decisões contra Colo-Colo e Olimpia
- Artilheiros: Charles (3 gols) e Mário Tilico (2 gols)
O que mudou a partir dali
A taça de 1991 consolidou o Cruzeiro como força continental nos anos 90. O elenco ganhou casca em mata-matas internacionais, base que seria vital para a Supercopa de 1992 (bicampeonato) e, mais tarde, para a conquista da Libertadores de 1997. Taticamente, a mobilidade dos pontas e a saída de três com Paulão, Adílson Batista e Nonato virariam marca registrada do clube ao longo da década.
Imagem: Divulgação
Impacto para o presente: lições que permanecem
No aniversário de 34 anos, a lembrança da virada sobre o River Plate resgata elementos que seguem atuais na Toca da Raposa: ambiente hostil ao visitante, uso inteligente dos lados do campo e consistência no mano a mano defensivo. A diretoria trabalha para transformar esses valores em rotina na Série A de 2024, especialmente após a recente reformulação do elenco e a volta ao calendário sul-americano via Sul-Americana.
Conclusão prospectiva: a efeméride de 1991 oferece não apenas nostalgia, mas um roteiro de alto rendimento: apoio maciço da torcida, postura proativa em casa e mentalidade competitiva em decisões. Se conseguir traduzir essas lições para a temporada que se inicia, o Cruzeiro tende a elevar sua ambição — de permanecer na elite para novamente brigar por conquistas continentais.
Com informações de Diário Celeste