São Paulo, 26 de novembro de 2025 – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou nesta quarta-feira (26), durante o CBF Summit Academy 2025, o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), modelo de Fair Play Financeiro que passa a valer já em 2026 e prevê punições que vão de multa a rebaixamento de divisão para clubes que descumprirem as novas regras.
Quais são os quatro pilares do novo Fair Play?
O SSF foca em quatro frentes:
- Controle de dívidas em atraso – bloqueio ao registro de atletas se houver pendências com clubes, funcionários ou autoridades.
- Equilíbrio financeiro anual e trienal – déficit máximo de R$ 30 milhões ou 2,5% da receita no triênio para times da Série A.
- Teto de 70% nas despesas de elenco – salários, encargos, direitos de imagem e amortizações não podem ultrapassar 70% das receitas totais.
- Limite para dívidas de curto prazo – dívida líquida que vence em 12 meses não pode superar 45% da receita relevante a partir de 2030.
Como será a fiscalização?
Será criada a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão independente com sete diretores e mandato de quatro anos. A agência terá acesso em tempo real à plataforma onde clubes registrarão contratos e transações, replicando o modelo de licenciamento da UEFA.
Graduação das punições
A sanção varia conforme a gravidade:
- Advertência
- Multa
- Retenção de receitas
- Transfer ban
- Perda de pontos
- Rebaixamento ou cassação de licença
Períodos de transição: do “soft opening” ao regime pleno
A CBF adotou calendário escalonado:
- 2026 – regras de dívidas em atraso já valem; demais pilares ainda em fase educativa.
- 2028 – teto de 80% para elenco e análise trienal de superávit começam a gerar punições.
- 2029 – teto de 70% na Série A, 50% de dívida de curto prazo.
- 2030 – regra definitiva de 45% para endividamento de curto prazo.
Raio-X financeiro do futebol brasileiro
Dívidas: segundo levantamento da consultoria SportsValue, os 20 clubes da Série A somaram R$ 9,6 bilhões em dívidas brutas em 2023.
Folha salarial: estudo da EY mostrou que, em média, 75% da receita dos clubes da elite foi comprometida com gastos de elenco em 2024, acima do teto que passará a vigorar.
Resultados operacionais: apenas seis equipes da Série A fecharam 2024 com superávit.
Imagem: Internet
Impacto tático-financeiro: o que muda para os clubes
• Gestão de elenco: contratações precisarão caber no orçamento anual, forçando redução de folhas infladas e maior uso de base.
• Mercado de transferências: clubes endividados poderão vender antes de comprar para manter o índice de 70%.
• SAFs em vantagem: aportes de capital de investidores podem cobrir eventuais déficits, desde que registrados como aumento de patrimônio.
• Planejamento de temporada: manutenção de receitas recorrentes (bilheteria, sócio-torcedor, TV) torna-se vital para não estourar o limite de dívida de curto prazo.
Clubes em recuperação judicial: regras específicas
A partir de abril de 2026, equipes em RJ terão:
- Folha salarial travada em patamar definido pela ANRESF;
- Compra de atletas condicionada à receita de vendas;
- Obrigatoriedade de acordo de reestruturação homologado.
Multipropriedade e transparência
O SSF proíbe que um mesmo grupo econômico controle dois clubes que disputem competições da CBF. Além disso, demonstrações financeiras devem ser publicadas até 30 de abril de cada ano, reforçando o princípio de transparency first.
Próximos passos: Em 2026, a ANRESF começa a monitorar passivos em atraso; 2027 fecha o primeiro ciclo de avaliação trienal; e 2028 inaugura o regime punitivo pleno. Os clubes terão pouco mais de dois anos para equalizar folhas, renegociar dívidas e profissionalizar processos contábeis – um intervalo curto diante do histórico de desequilíbrio financeiro do futebol nacional.
Com informações de ESPN Brasil