São Paulo (SP), 1º.dez.2025 – Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol do São Paulo, explicou em entrevista à ESPN por que o clube priorizou a venda de jogadores formados em Cotia em 2025, ano em que a dívida tricolor está perto de alcançar R$ 1 bilhão. Ele também relacionou a política de contratações sem custos de transferência ao elevado número de lesões entre atletas experientes e projetou o elenco para 2026, quando garante que estará apenas “na torcida”.
Por que a base virou principal fonte de renda em 2025
De acordo com Belmonte, a determinação presidencial era fechar o exercício com superávit. Como a diretoria vetou gastos com transferências, restou negociar ativos já disponíveis: “O único jeito de dar superávit era vendendo atletas”, explicou. O dirigente citou, entre outros, William Gomes, Matheus Alves e Lucas Ferreira, todos negociados antes de atuarem de forma contínua no profissional.
A lógica é de mercado: quanto maior a urgência financeira, menor o poder de barganha. Segundo o ex-dirigente, o clube faturou cerca de R$ 230 milhões com vendas em 2025, praticamente todo esse montante oriundo de Cotia.
Raio-X das negociações
• Montante arrecadado com a base em 2025: R$ 230 milhões
• Jogadores formados em Cotia negociados: William Gomes (atacante), Matheus Alves (meia), Lucas Ferreira (zagueiro) e outros
• Dívida estimada do clube: ~R$ 1 bilhão
• Objetivo financeiro da temporada: superávit operacional
Lesões: efeito colateral de um elenco montado sem investimento em transferências
Sem verba para contratações com pagamento de direitos econômicos, o São Paulo recorreu a jogadores livres no mercado e veteranos. O resultado foi um plantel de idade média mais alta e histórico de lesões. Belmonte listou casos como Oscar (síncope vasovagal), Calleri, Lucas Moura, André e Ryan. O dirigente destacou que o setor médico registrou taxas musculares parecidas com anos anteriores, mas houve acréscimo de traumas e doenças.
O ápice da frustração ocorreu quando o técnico só conseguiu escalar o quarteto Calleri-Luciano-Oscar-Lucas completo em uma única partida — vitória sobre o Corinthians, marcada como a exibição mais consistente do ano.
Impacto tático em 2025 e perspectivas para 2026
Com a saída precoce de jovens promissores, o time perdeu reposição principalmente nas pontas e na zaga. Por outro lado, a dependência de veteranos lesionados comprometeu sequência de resultados. Caso Oscar opte pela continuidade da carreira e o departamento médico consiga estabilizar Calleri e Lucas, o Tricolor pode iniciar 2026 com espinha dorsal pronta; precisaria apenas de três ou quatro reforços pontuais, segundo Belmonte.
Imagem: Internet
Além disso, o ex-diretor reforça a importância de diversificar receitas além das vendas de atletas, pautando o debate interno para redução de gastos em outros setores e aumento de arrecadação comercial.
Próximos compromissos e o que está em jogo
• 03/12 – São Paulo x Internacional, Vila Belmiro, 20h (Brasileirão)
• 07/12 – Vitória x São Paulo, Barradão, 16h (Brasileirão)
Com a permanência na Série A garantida e sem chances de Libertadores via campeonato, a diretoria interina deve usar as duas rodadas restantes para avaliar a condição física de atletas-chave para 2026 e abrir conversas sobre reforços de baixo custo, mantendo a política de responsabilidade fiscal.
Conclusão prospectiva: a entrevista reforça que o São Paulo de 2026 dependerá menos de contratações bombásticas e mais de saúde financeira, evolução médica e maturação de quem permanecer. A postura de Belmonte indica que a arena política seguirá debatendo a equação entre receita imediata e preservação de talentos de Cotia — tema que deve pautar o mercado tricolor já na próxima janela.
Com informações de ESPN Brasil