Washington (EUA), 4 de dezembro de 2025 – A menos de sete meses do pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, a Seleção Brasileira entra na reta final de preparação sob o comando de Carlo Ancelotti, técnico contratado em maio após deixar o Real Madrid. Nesta sexta-feira (5/12), a equipe conhecerá seus primeiros adversários no sorteio da Fifa em Washington, enquanto ex-campeões mundiais como Luizão, Rivellino, Zinho e Edmílson analisam se é possível acreditar no tão sonhado hexa.
Oscilações históricas e a chegada de Ancelotti
O cenário que o italiano encontrou em sua estreia pela CBF era incomum: o Brasil terminou em 5º lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, pior campanha desde que o formato de pontos corridos foi adotado em 1998. Pressionado, Ancelotti iniciou uma reformulação que já soma 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, com 14 gols marcados e apenas 5 sofridos, números que representam 58,3% de aproveitamento.
Testes em massa: 48 convocados em oito partidas
Para acelerar o processo, o treinador convocou 48 jogadores. Seis ainda não atuaram (Antony, Ederson volante, João Gomes, John, Léo Ortiz e Luciano Juba), enquanto Bruno Guimarães foi titular em 100% dos jogos. Casemiro e o jovem Estêvão só ficaram fora de uma partida, sinalizando a importância do meio-campo na ideia de jogo.
Raio-X do Brasil de Ancelotti
Produção ofensiva: 1,75 gol/jogo (média inferior aos 2,3 da era Tite em 2019-2022).
Solidez defensiva: 0,62 gol sofrido/jogo (melhor que os 0,8 concedidos na última Copa).
Pilares recorrentes: Marquinhos, Bruno Guimarães, Casemiro e Rodrygo iniciaram ao menos 75% dos minutos.
Rotação intensa: 12 atletas diferentes foram titulares em posições de ataque, evidenciando busca por encaixe definitivo.
O que dizem os campeões mundiais
Luizão (penta 2002) destaca a “pegada brasileira” de Ancelotti e vê melhora nítida.
Rivellino (tri 1970) e Zinho (tetra 1994) apontam evolução, mas afirmam que ainda não há base consolidada para julho de 2026.
Edmílson (penta 2002) diverge: enxerga espinha dorsal formada por Rodrygo, Marquinhos e Casemiro, suficiente para colocar o Brasil, no mínimo, entre os oito melhores.
Por que o sorteio desta sexta importa
O chaveamento influencia diretamente o caminho do Brasil. Cabeça de chave em recuperação de imagem, a Seleção pode cair em um grupo com europeus de médio porte ou topar logo de cara com uma campeã mundial. Confrontos teoricamente mais acessíveis dariam a Ancelotti tempo extra para fixar a dupla de ataque – hoje disputada por Rodrygo, Vinícius Júnior, Gabriel Martinelli e o emergente Endrick – sem sacrificar resultados.
Imagem: Internet
Impacto futuro e próximos passos
Após o sorteio, Ancelotti terá apenas quatro datas Fifa (março e junho) para reduzir o elenco e encontrar o onze inicial. A CBF planeja amistosos contra seleções europeias classificadas, teste considerado crucial para elevar o ritmo competitivo. Se o comando conseguir estabilizar a estrutura defensiva já elogiada pelos campeões de 1970, 1994 e 2002, o Brasil chegará à América do Norte conciliando solidez e talento ofensivo – combinação que costuma transformar boas campanhas em títulos.
No curto prazo, o desempenho nos amistosos de março dará indícios fortes de quem ganha a preferência do treinador nas vagas ainda abertas, sobretudo na lateral esquerda e na função de segundo atacante. Até lá, a expectativa de hexa permanece viva, mas depende diretamente da capacidade de Ancelotti em transformar testes em certezas.
Com informações de ESPN Brasil