Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 2025 — O Flamengo entregou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nesta segunda-feira (8), um documento técnico que propõe a criação do “Programa de Avaliação e Monitoramento da Qualidade de Gramados do Futebol Brasileiro” e estabelece a retirada gradual dos gramados sintéticos da Série A até o fim de 2027.
Por que o clube quer abolir o gramado sintético?
A diretoria rubro-negra sustenta que nenhum país campeão mundial permite o uso de superfície artificial em suas principais ligas. Além disso, cita manifestações públicas de atletas — como Neymar, em 2025 — que relatam desconforto e risco maior de lesões em “grama de plástico”. O ofício menciona estudos disponíveis em revistas científicas e relatórios da FIFA que indicam maior incidência de entorses de joelho e tornozelo em pisos artificiais quando comparados aos naturais.
Impacto imediato: quais clubes seriam afetados?
Se o plano seguir adiante, Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras — todos donos de estádios com piso 100% artificial — teriam de trocar o tapete pelosso natural até:
- 31 de dezembro de 2027 (Série A)
- 31 de dezembro de 2028 (Série B, em caso de rebaixamento)
Durante a transição, o Flamengo exige que essas equipes cumpram um check-list mínimo de performance (absorção de impacto, altura de fibra, temperatura superficial) balizado por normas FIFA/UEFA.
Raio-X dos gramados no Brasileirão
- Temporada 2025: 19% das partidas da Série A foram disputadas em campos sintéticos.
- Média de temperatura da superfície em dias ensolarados: 57 °C no sintético x 34 °C no natural (dados de medições da CBF/Futebol Sustentável, 2024).
- Lesões musculoesqueléticas por 1.000 horas de jogo: 5,8 em gramados artificiais x 4,2 em naturais (estudo CIES, 2023).
- Investimento estimado para conversão de sintético para natural em arenas acima de 40 mil lugares: R$ 8–12 milhões, segundo consultorias de engenharia esportiva.
Padronização também para a grama natural
Além de vetar o piso artificial, o ofício rubro-negro sugere que todos os estádios passem por avaliação trimestral de parâmetros como dureza, densidade e uniformidade do relvado, com publicação de notas em plataforma pública, prática já adotada pela UEFA. A ausência atual de regulamentação formal no Brasil faz com que a qualidade varie de “tapetes” reconhecidos internacionalmente (ex.: Maracanã pós-reforma 2023) a campos com falhas de drenagem e buracos.
Calendário do grupo de trabalho na CBF
A entidade deve instalar ainda em dezembro um comitê com representantes de clubes, comissão de arbitragem e Instituto de Pesquisa da CBF. O objetivo é chegar a uma minuta de alteração do Regulamento Geral de Competições (RGC) até março de 2026, deixando margem para ajustes antes do início do Brasileirão.
Imagem: Internet
O que muda para o Flamengo e para o Campeonato
A iniciativa rubro-negra, se aprovada, pode:
- Uniformizar a condição de jogo, reduzindo variáveis externas que afetam desempenho e planejamento físico.
- Tornar o Brasil mais alinhado a padrões internacionais, facilitando captação de eventos FIFA e CONMEBOL.
- Gerar custos significativos aos clubes afetados, o que deve abrir discussões sobre incentivos financeiros ou linha de crédito específica.
Próximos jogos do Flamengo
O time comandado por Tite volta a campo em 10/12, às 14h (de Brasília), contra o Cruz Azul, na Copa Intercontinental. O tema “gramado” deve acompanhar a delegação, já que o duelo será disputado em campo natural aprovado pela FIFA.
Conclusão — olho no calendário de 2026
Caso a CBF incorpore a proposta ao RGC já na próxima temporada, os clubes que atuam em gramado sintético precisarão iniciar obras de conversão antes do segundo turno de 2026 para cumprir o prazo de 2027. Essa janela apertada pode movimentar o mercado de engenharia esportiva e colocar a qualidade do piso como fator estratégico na preparação física das equipes.
Com informações de ESPN Brasil