São Paulo — 12 de dezembro de 2025. O empresário Diego Fernandes, conhecido por ter intermediado a chegada de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira, afirmou ter recebido “luz verde” para investir no São Paulo e defendeu a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), movimento que ainda encontra resistência na diretoria tricolor.
Quem é Diego Fernandes e como chegou aos bastidores da Seleção
CEO da 08 Partners e torcedor declarado do São Paulo, Diego Fernandes ganhou espaço no meio esportivo ao prestar consultoria financeira a atletas desde a Copa do Mundo de 2022. Em 2025, tornou-se personagem central da negociação que levou Carlo Ancelotti a aceitar o comando da Seleção Brasileira. Embora tenha sido apresentado como “agente” do treinador, Fernandes não possui licença de intermediário da FIFA; sua participação ocorreu por contrato direto com a CBF, assinado na gestão de Ednaldo Rodrigues.
As lições do caso Ancelotti: contrato rescindido e desgaste na CBF
O acordo previa comissão de € 1,2 milhão (cerca de R$ 7,7 mi na cotação da época) e reembolso de R$ 1 milhão por despesas logísticas. Quando Samir Xaud assumiu a presidência da CBF, o documento foi anulado por falta de assinatura do departamento financeiro — exigência estatutária. A FIFA, alertada de que Fernandes não é agente licenciado, advertiu a CBF sobre pagamentos indevidos. O episódio encerrou a relação do empresário com a entidade e expôs vulnerabilidades contratuais em negociações de alto nível.
Por que Diego Fernandes mira o São Paulo e defende a SAF
Sem espaço na CBF, Fernandes voltou-se ao clube de infância e iniciou conversas com conselheiros tricolores. Segundo ele, há investidores — estrangeiros e famílias ligadas ao São Paulo — dispostos a aportar recursos, desde que o estatuto seja modernizado e o clube adote o modelo SAF. A atual gestão, presidida por Julio Casares até dezembro de 2026, prefere alternativas de recuperação financeira sem abrir mão do controle associativo.
Raio-X financeiro do Tricolor
- Déficit de 2024: R$ 146 milhões (balanço oficial).
- Dívida total consolidada: R$ 725 milhões — 38 % de curto prazo.
- Folha salarial estimada de 2025: R$ 18 milhões/mês, a 7ª maior da Série A.
- Receita recorrente com match-day caiu 23 % após reformas do Morumbis.
- Projeção de Fair Play Financeiro da Libra: clube excede limite de gasto em 12 %.
Impacto potencial: o que muda se a SAF sair do papel
Uma eventual conversão em SAF permitiria capitalização imediata, redução de passivos e criação de governança independente — fatores que Cruzeiro, Botafogo, Vasco e Atlético-MG utilizaram para reestruturar elencos. Para o São Paulo, o cenário abre espaço para investimentos em infraestrutura, recomposição do caixa e reforço de setores carentes (o time sofreu 51 gols no Brasileirão 2025, a 5ª pior defesa). Em contrapartida, conselheiros temem perda de identidade e poder de voto, ponto que mantém a pauta travada.
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Próximos passos: cronograma até a eleição de 2026
Fernandes promete anunciar “novidade” no dia 16 de dezembro, ao lado do ex-atacante Müller. Caso concretize carta de intenção de aporte, o empresário precisará de 2/3 dos votos do Conselho Deliberativo para alterar o estatuto — processo que, na melhor hipótese, ocorreria em meados de 2026, coincidente com a campanha eleitoral. A tendência é que o tema SAF se torne eixo central do debate político no Morumbis nos próximos 12 meses.
O interesse declarado de Diego Fernandes recoloca a discussão sobre modernização de gestão em um clube historicamente avesso a investidores externos. Se avançar, o projeto pode reconfigurar a disputa pelo topo do futebol brasileiro a partir de 2027; se travar, expõe a urgência de soluções alternativas para um passivo que cresce acima da receita esportiva e comercial.
Com informações de ESPN Brasil