Membros da comunidade árabe de Liverpool declararam, em entrevistas publicadas pela BBC nesta semana, que desejam a permanência de Mohamed Salah no clube. Para eles, o atacante de 33 anos não é apenas o terceiro maior artilheiro da história dos Reds, mas também um elo que ajudou a aproximar diferentes grupos étnicos na cidade portuária inglesa.
Ídolo que extrapola as quatro linhas
Desde a chegada em 2017, Salah se tornou referência para cerca de 8 000 residentes de origem árabe e para a população muçulmana que representa 5% de Liverpool, segundo o censo de 2021. Seu gesto de sujud (prostração em oração) após os gols, as contribuições a causas sociais e a postura discreta fora de campo colaboraram para ampliar a representação cultural da comunidade árabe na cidade.
O empresário marroquino Otto Mellouki e o egípcio Mohamad Farouk — ambos radicados em Liverpool — relataram que crianças de várias nacionalidades “querem ser o Salah”, evidenciando como o camisa 11 derrubou barreiras ao ser coroado “Egyptian King” pela torcida e integrar a lista das 100 pessoas mais influentes da Time em 2019.
Raio-X de Salah no Liverpool
- Temporadas no clube: 2017/18 a 2023/24
- Gols: 205 em 332 partidas oficiais* (3º maior artilheiro do clube)
- Títulos principais: Premier League 2019/20, Champions League 2018/19, Mundial de Clubes 2019, Copa da Inglaterra 2021/22, Copa da Liga 2021/22
- Contribuições sociais: doações a hospitais no Egito, apoio a projetos de base em Liverpool e participação em campanhas de inclusão
*Dados públicos atualizados até novembro/2023.
Momento de pressão e incerteza
A recente declaração de Salah, afirmando ter sido “colocado debaixo do ônibus” após o empate por 3-3 com o Leeds, gerou desconforto interno. Ausente por lesão, ele retornou ao elenco contra o Brighton, mas entrou apenas no segundo tempo. O rendimento coletivo também caiu: o Liverpool sofreu 14 gols nas últimas oito rodadas da Premier League e viu a disputa pelo G-4 esquentar.
Do ponto de vista tático, Jürgen Klopp utiliza Salah como right-inside forward no 4-3-3, função responsável por 34% dos gols da equipe na temporada passada. Uma eventual saída exigiria reposição imediata em termos de produção ofensiva e liderança de vestiário.
O que muda se Salah deixar Anfield?
Mercado: a escassez de extremos destros de elite faria o Liverpool disputar nomes como Chiesa (Juventus) ou Nico Williams (Athletic) em cifras superiores a €70 milhões.
Imagem: Internet
Estratégia esportiva: sem Salah, Klopp poderia acelerar a transição para um 4-2-3-1, centralizando Darwin Núñez e deslocando Diogo Jota para a direita, mas perderia profundidade e poder de definição.
Impacto de marca: Salah é o atleta do Liverpool com maior engajamento em redes sociais (mais de 60 milhões de seguidores no Instagram). Sua saída reduziria o alcance global do clube, especialmente no Oriente Médio e Norte da África.
Próximos capítulos
Salah disputará a Copa Africana de Nações no início de 2025. A expectativa da comunidade árabe local é que o atacante retorne “de cabeça fria” e reforce o time na reta final da temporada. Paralelamente, a direção dos Reds trabalha para estender o vínculo que termina em junho de 2025, evitando a perda do atleta sem compensação financeira.
Conclusão prospectiva: Se permanecer, Salah seguirá como peça-chave tanto esportiva quanto socialmente, fortalecendo a imagem inclusiva construída pelo clube nos últimos anos. Caso contrário, o Liverpool enfrentará um desafio duplo: reposicionar seu ataque em campo e preencher o vazio simbólico deixado por um jogador que uniu torcedores além das fronteiras culturais.
Com informações de BBC News