Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2025 – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou, na publicação do Regulamento Específico da Competição (REC) e da tabela básica do Brasileirão 2026, que os gramados sintéticos seguem autorizados na Série A. A decisão consta no artigo 24 do documento divulgado nesta segunda-feira (15) e atinge diretamente Athletico-PR, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras, únicos clubes da elite que utilizam piso artificial.
O que exatamente diz o artigo 24
O trecho estabelece que “os clubes estão autorizados a utilizar estádios com piso de grama sintética, que deverão obedecer aos requisitos previstos no Regulamento Geral de Competições (RGC)”. Em outras palavras, basta que o tapete seja certificado pela FIFA Quality Pro e esteja em dia com os relatórios de manutenção enviados à CBF.
Por que o tema gerou polêmica em 2025
A discussão ganhou força quando um grupo de atletas – liderado por Neymar e Lucas Moura – argumentou, em carta pública, que a superfície artificial multiplicaria o risco de lesões e alteraria as características do jogo. Na sequência, 14 dos 20 clubes da Série A assinaram um documento pedindo à CBF a suspensão imediata da homologação de novos gramados.
O Flamengo foi além e protocolou proposta para padronizar os campos (todos naturais) até 2027. A iniciativa desencadeou troca de declarações entre Leila Pereira (presidente do Palmeiras) e Luiz Eduardo Baptista, o Bap (presidente do Conselho de Administração do clube carioca), intensificando o debate.
Raio-X dos clubes com grama sintética
Athletico-PR – Ligga Arena
• Primeiro clube da Série A a instalar piso artificial (2016).
• Média histórica de 70% de aproveitamento como mandante desde a troca, segundo dados da CBF.
Palmeiras – Allianz Parque
• Grama sintética desde 2020.
• Tricampeão brasileiro (2022, 2023 e 2024) jogando em 100% dos compromissos em casa no tapete artificial.
Atlético-MG – Arena MRV
• Estreou o sintético em 2024, respeitando o padrão FIFA Quality Pro.
• Clube afirma redução de custos de manutenção em 35% frente ao Mineirão.
Botafogo – Estádio Nilton Santos
• Piso artificial de quarta geração desde 2025.
• Objetivo: minimizar impacto financeiro de shows e facilitar eventos olímpicos.
Imagem: Internet
Chapecoense – Arena Condá
• Optou pela troca ao retornar à elite em 2026.
• Alegação principal: chuvas constantes no Oeste catarinense.
O argumento técnico: desempenho vs. lesões
A FIFA e a IFAB reconhecem gramados sintéticos de última geração desde 2005. Estudos da entidade indicam que não há aumento estatisticamente significativo no índice de contusões em relação ao natural, desde que a superfície receba manutenção adequada. Clubes contrários, porém, citam pesquisas independentes que relacionam torções de joelho a pivotadas mais bruscas no piso artificial.
Impacto imediato no planejamento de 2026
1. Mercado da bola: elencos montados para equipes com piso sintético buscam atletas acostumados à rotação de bola mais veloz.
2. Pré-temporada: rivais projetam amistosos em estádios de grama artificial para reduzir a curva de adaptação.
3. Comissão de arbitragem: CBF prepara orientações específicas sobre calibragem de bola e checagem de desgaste do granulado de borracha.
Próximos capítulos: padronização em 2027 sai do papel?
Embora o artigo 24 garanta a grama sintética em 2026, o debate sobre padronização não terminou. A diretoria de competições da CBF agendou para março próximo um fórum técnico com médicos, preparadores físicos e representantes dos 40 clubes das Séries A e B. A ideia é apresentar métricas de desempenho, lesão e custo para balizar uma decisão definitiva até o calendário 2027.
Em resumo, a CBF manteve a liberdade de escolha dos clubes e encerrou, por ora, a polêmica. Resta saber se a pressão política e os dados que serão apresentados no fórum técnico mudarão o cenário para 2027 e além.
Com informações de ESPN Brasil