Porto Alegre, 23 de dezembro de 2025 – Apresentado oficialmente nesta semana, o técnico português Luís Castro já definiu seu primeiro alvo no mercado: dois extremos (pontas) capazes de assegurar profundidade e recomposição em alto ritmo durante os 90 minutos. A solicitação foi feita à direção do Grêmio logo após a coletiva de apresentação, redirecionando o foco que, até então, estava na busca por um camisa 10.
Por que as pontas viram prioridade imediata
Castro baseia seu modelo de jogo na amplitude constante. Para o treinador, os jogadores de lado controlam os corredores, aceleram transições e criam superioridade numérica no terço final. Sem pontas de explosão, o sistema perde profundidade e a equipe fica previsível, sobretudo contra blocos baixos, cenário frequente no Brasileirão.
Situação atual do elenco: lacunas expostas
O grupo gremista dispõe hoje de opções limitadas nas beiradas:
- Cristian Pavón – titular pela direita, mas com rendimento oscilante em 2025.
- Willian – 37 anos, histórico de atuar aberto; demanda gestão física rigorosa.
- Francis Amuzu – elogiado internamente, encaixa no perfil de alta intensidade, mas necessita de concorrência para manter nível.
- Roger – promovido do sub-17; ainda em formação física para duelos adultos.
- Riquelme – meia que pode atuar por fora, porém rende melhor centralizado.
Além disso, Kike Olivera foi negociado com o Bahia e Aravena tem chance de ser emprestado, reduzindo ainda mais o leque de alternativas.
Raio-X dos extremos à disposição
Pavón – 29 anos, destro, 1,70 m. Conhecido pela arrancada curta e chutes de média distância. Precisa elevar índices de participação defensiva para se adaptar ao 4-3-3 de Castro.
Willian – 37 anos, destro, 1,71 m. Vantagem: leitura de jogo e cruzamentos. Desafio: manter intensidade de pressão pós-perda.
Amuzu – 26 anos, canhoto, 1,69 m. Estatística de referência 2024/25 (Anderlecht): média de 6,1 duelos ganhos por jogo e 4,2 ações ofensivas decisivas, segundo Wyscout.
Roger – 17 anos, ambidestro. Destaque da base com 9 gols e 11 assistências no Brasileiro Sub-17. Projetado como opção de velocidade nos minutos finais.
Imagem: Gustavo Langer
Perfil buscado no mercado
De acordo com interlocutores do departamento de futebol, a comissão técnica definiu três critérios para novos extremos:
- Explosão física para vencer duelos em transição.
- Alta taxa de recomposição, conceito central na ideia de “11 atacam, 11 defendem”.
- Capacidade de atuar em ambos os lados, garantindo variação tática durante a partida.
Os nomes avaliados não foram revelados, mas a análise estatística inclui mapas de calor e métricas de sprints acima de 30 km/h, indicadores valorizados por Castro desde os tempos de Porto.
Impacto técnico no curto e médio prazo
Se o clube conseguir entregar dois pontas do nível pretendido até a reapresentação de janeiro, o Grêmio ganhará:
- Maior volume de jogadas de linha de fundo, essencial para potencializar Luis Suárez dentro da área.
- Pressão coordenada na saída adversária, algo que o time de 2025 não executou de forma consistente.
- Banco equilibrado, permitindo que a intensidade permaneça alta mesmo após as cinco substituições.
Como essa decisão pode redefinir a temporada 2026
O Brasileirão 2026 terá calendário enxuto por causa da Copa do Mundo de Clubes ampliada, o que deve congestionar datas. Ter extremos em rotação dupla pode significar pontos decisivos em partidas de intervalo curto. Além disso, a Libertadores exige deslocamentos longos, e a gestão de carga se torna ainda mais relevante. Castro quer um elenco que não caia de produção após 60 minutos – as contratações solicitadas são parte central dessa engenharia de performance.
Com as discussões avançando nos bastidores, a tendência é de que o Grêmio tente apresentar ao menos um novo ponta antes do início do Gauchão. O sucesso ou fracasso nessa missão determinará a velocidade de adaptação do modelo de Luís Castro e, por consequência, a competitividade do Imortal nas três frentes em 2026.
Com informações de Portal do Gremista