São Paulo, 19 de junho de 2024 – A diretoria do São Paulo recusou uma proposta de 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 62,4 milhões) apresentada pelo Flamengo para contratar o meio-campista Marcos Antônio. O veto partiu após solicitação do técnico Hernán Crespo, que considera o atleta uma peça essencial do elenco e argumenta que o grupo já é curto para a temporada 2025.
Por que o São Paulo disse “não” à oferta rubro-negra?
Mesmo pressionado por dívidas, o Tricolor entende que o valor oferecido não reflete o peso de Marcos Antônio no modelo tático de Crespo. Internamente, o clube trabalha com uma avaliação próxima de 25 milhões de euros (cerca de R$ 155 milhões). A diferença de mais de 150% entre pedida e oferta inviabilizou o acordo em reunião entre os dois departamentos de futebol.
Crespo reforçou à diretoria que a saída do meio-campista fragilizaria o setor que mais necessita de continuidade: a volância. O treinador já declarou publicamente que o elenco é “curto” e que cada perda impacta diretamente o plano de jogo elaborado para 2025.
O papel de Marcos Antônio no esquema de Hernán Crespo
Utilizado como segundo volante em um 3-5-2, o camisa 8 cumpre funções híbridas: inicia a saída de bola, aproxima-se dos zagueiros na fase defensiva e acelera a transição pelo corredor central. Sua capacidade de passe curto e de ruptura de linhas é vista como diferencial para manter a posse e ativar os alas em amplitude.
Nas partidas em que esteve em campo em 2024, o São Paulo registrou média de 58% de posse e trocou cerca de 480 passes por jogo, segundo dados da própria comissão técnica. Esses indicadores caem para 51% e 410 passes quando Marcos Antônio não atua, evidenciando sua influência na cadência coletiva.
Raio-X financeiro e estatístico
Valor oferecido: 10 mi € (R$ 62,4 mi)
Valor pedido pelo SPFC: 25 mi € (R$ 155 mi)
Idade do atleta: 24 anos
Partidas em 2024: 37
Gols/Assistências: 3 / 7
Minutos em campo: 2.915
Média de passes certos: 91% por jogo
Do ponto de vista de mercado, a pedida são-paulina coloca Marcos Antônio em patamar próximo a negociações recentes de meio-campistas sub-25 exportados para a Europa, reforçando a estratégia de só vender se o montante for suficiente para quitar dívidas e reinvestir.
Imagem: Rubens Chiri
Impacto para Flamengo e São Paulo no restante da temporada
No Flamengo, a recusa obriga a diretoria a buscar alternativas para preencher a lacuna deixada por Gérson, submetido a cirurgia. O clube carioca observa outros nomes no futebol sul-americano, mas não descarta nova investida caso o São Paulo flexibilize a pedida.
Já o Tricolor mantém a espinha dorsal para a disputa da Conmebol Libertadores 2025. Com Marcos Antônio garantido, Crespo preserva a consistência do meio-campo e ganha tempo para desenvolver jovens da base como Negrucci e Dudu, que vêm sendo integrados gradualmente.
O que esperar nos próximos capítulos?
A janela internacional abre em 10 de julho e se estende até 2 de setembro. Se o Flamengo ou outro mercado chegar próximo aos 25 milhões de euros, o São Paulo pode repensar a estratégia. Até lá, Crespo conta com seu titular absoluto para tentar repetir a consistência defensiva de 2024, temporada em que o time sofreu apenas 0,93 gol por partida – a melhor marca do clube desde 2008.
A manutenção de Marcos Antônio, portanto, não é apenas um ato de resistência financeira, mas um movimento tático que sustenta o projeto esportivo do São Paulo para 2025. O desfecho dessa novela dependerá do apetite do mercado e da capacidade tricolor de equilibrar contas sem desmontar o time.
Com informações de Nação Tricolor