Rio de Janeiro (RJ) – O Flamengo iniciou 2026 sob forte turbulência depois de perder a Recopa Sul-Americana para o Lanús por 3 × 2 no Maracanã e, dias depois, a Supercopa do Brasil para o Corinthians, resultados que amplificaram as críticas ao técnico Filipe Luís e expuseram a insatisfação de nomes como Arrascaeta, Danilo e Everton Cebolinha.
Derrotas revelam falta de coerência coletiva
Mesmo vindo de uma temporada 2025 vitoriosa em que conquistou troféus nacionais e continentais, o Flamengo ainda não repetiu a mesma formação nos 11 jogos oficiais de 2026. A alternância constante tem afetado o entrosamento, principalmente no setor ofensivo, onde Gonzalo Plata vem atuando como falso 9, enquanto Pedro perdeu espaço.
No lado esquerdo, Everton Cebolinha e Samuel Lino se revezam sem convencer, o que impede a criação de mecanismos de ataque consolidados. A ausência de padrões se reflete também na linha defensiva: mesmo com a dupla Léo Ortiz-Léo Pereira sendo a mais utilizada, o time já sofreu nove gols — média de 0,82 por partida — número considerado alto para quem aspira títulos de peso.
O que dizem os números? – Raio-X do Flamengo em 2026
- 11 jogos na temporada: 6 vitórias, 1 empate, 4 derrotas.
- 9 gols sofridos: apenas três clean sheets.
- Eficiência ofensiva em queda: média de 1,54 gol por jogo em 2026 contra 2,03 em 2025 (todas as competições).
- Rotação recorde: 27 atletas diferentes já foram titulares pelo menos uma vez.
- Pedro – 362 minutos em campo (33 % do total possível); Plata – 608 minutos (55 %).
Por que o modelo de Filipe Luís perdeu tração?
Em 2025, o então estreante técnico apostou em construção curta desde a defesa, laterais bem abertos e apoio de Arrascaeta entre linhas. O sucesso passava por manutenção de posse (média de 61 %) e pressão imediata na perda da bola.
Em 2026, as variações de escalação reduziram a sincronia dos triângulos pelos corredores. A saída de bola tem sofrido com erros individuais, como o passe interceptado que originou o primeiro gol do Lanús na Recopa. Sem a consistência de base, o time perde volume ofensivo e cede contra-ataques perigosos – problema potencializado pela postura adiantada da zaga.
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Calendário e impacto futuro
O próximo compromisso é a semifinal do Campeonato Carioca contra o Madureira, duelo que oferece oportunidade imediata de reabilitação após a vitória por 3 × 0 na ida. Porém, a paciência interna e externa diminui à medida que se aproximam o início do Brasileirão e a fase de grupos da Conmebol Libertadores. Caso o padrão de atuações instáveis persista, o Flamengo pode chegar às competições de maior exigência sem a confiança necessária — algo que historicamente impacta diretamente o aproveitamento de pontos nas primeiras dez rodadas do campeonato nacional.
Em síntese, as derrotas recentes colocam em xeque o projeto de Filipe Luís não apenas pelos resultados, mas pela ausência de um plano de jogo reconhecível. A sequência decisiva que inclui semifinal estadual, estreia no Brasileirão e Libertadores servirá como termômetro: ou o Flamengo encontra rapidamente um 11 base e solidez defensiva, ou o clube terá de repensar seu comando técnico para evitar que 2026 se transforme de ano promissor em temporada de reconstrução.
Com informações de NetFla