Rio de Janeiro (RJ) – Horas depois de golear o Madureira por 8 a 0, no domingo, o Flamengo comunicou a demissão do técnico Filipe Luís e, já na segunda-feira, oficializou Leonardo Jardim como novo comandante. De acordo com apuração do portal Globo Esporte, desgaste interno, impasse contratual e a derrota para o Lanús na quinta-feira foram determinantes para a decisão.
Por que a goleada não segurou o cargo
A vitória elástica sobre o Madureira não alterou o cenário de insatisfação. Jogadores demonstravam surpresa, mas já existia preocupação com o impasse na renovação de Filipe Luís e com a queda de rendimento exibida diante do Lanús. A diretoria entendeu que o momento pedia uma ruptura imediata para recolocar o projeto esportivo nos trilhos antes do início do Brasileirão e da fase de grupos da Libertadores.
Bastidores: da derrota na Argentina ao acerto com Jardim
• Quinta-feira: derrota para o Lanús; chegam a Bap mensagens indicando a disponibilidade de Leonardo Jardim.
• Sexta-feira: primeiros contatos formais entre Flamengo e o técnico português.
• Domingo: goleada sobre o Madureira e confirmação da saída de Filipe Luís.
• Segunda-feira: assinatura de contrato com Jardim.
Reações no elenco evidenciam fissuras
A ruptura impactou diretamente o grupo. Rodrigo Caio, integrante da comissão técnica, pediu demissão em solidariedade a Filipe Luís. Já o meio-campista Danilo expôs desconforto ao curtir postagem crítica a Leonardo Jardim, sinalizando divisão interna.
Raio-X dos treinadores
Filipe Luís
• Ídolo como jogador: 219 partidas e oito títulos oficiais pelo Flamengo (incluindo Libertadores 2019 e Brasileirão 2019-20).
• Início de carreira como técnico: promovido das categorias de base para a equipe principal no fim de 2023.
Leonardo Jardim
• Títulos de destaque: Campeão francês 2016-17 com o Monaco, quebrando hegemonia do PSG.
• Estilo: jogo posicional em 4-2-3-1/4-4-2, transições rápidas e aposta em jovens (foi responsável por lapidar Mbappé e Bernardo Silva).
Imagem: Internet
O encaixe tático esperado no Flamengo
Com elenco farto de atacantes de velocidade (Bruno Henrique, Luiz Araújo) e meio-campistas dinâmicos (Gerson, De la Cruz), a tendência é que Jardim mantenha linha de quatro defensores, dois volantes responsáveis por cobertura e saída curta e um trio móvel atrás do centroavante. A exigência física de pressão alta pode alavancar o aproveitamento do setor que, na última temporada, sofreu com oscilações na recomposição.
Calendário apertado e metas imediatas
O Flamengo terá, no máximo, duas semanas de treinos até a estreia no Brasileirão e o início da Libertadores. A diretoria mira:
- Ajustar padrão defensivo – ponto que expôs fragilidades na derrota para o Lanús.
- Definir hierarquia de capitães, após a saída de Filipe Luís, para estabilizar o vestiário.
- Atingir, no mínimo, 70% de aproveitamento nos primeiros dez jogos oficiais, meta considerada chave para conter turbulências.
Perspectiva: A chegada de Leonardo Jardim sinaliza aposta em metodologia europeia combinada a um elenco de alto investimento. Caso o novo treinador imponha rapidamente seu modelo de jogo, o Flamengo ganha fôlego para buscar títulos continentais; se o ajuste demorar, o clube pode reviver instabilidade vivida em 2023.
Com informações de NetFla