Liverpool, 28 de março de 2026 — a diretoria do Everton decidiu abrir negociações no próximo verão europeu para estender o contrato de David Moyes. Contratado em janeiro para estancar o risco de rebaixamento, o técnico escocês de 62 anos elevou o time da 17ª para a 8ª colocação da Premier League, ficando a apenas três pontos da zona de classificação para a Champions League — motivo central da proposta de renovação.
Por que a renovação virou prioridade
As informações publicadas pelo jornal inglês The Guardian indicam que o grupo proprietário liderado por Dan Friedkin, também dono da Roma, vê em Moyes o nome ideal para conduzir o ciclo esportivo até a mudança para o novo estádio de Bramley-Moore Dock, prevista para 2027. Além da estabilidade competitiva, o técnico deverá ganhar influência direta no recrutamento, repetindo o modelo adotado em sua primeira passagem (2002-2013) que revelou nomes como Seamus Coleman e John Stones.
A engrenagem tática que sustentou a reação
Moyes resgatou sua marca registrada — organização defensiva e transição rápida —, mas com ajustes ao futebol contemporâneo:
- 4-3-3 em fase ofensiva: um volante inicia a saída curta; dois meias ocupam entrelinhas, oferecendo opção de progressão central.
- Verticalidade controlada: alternância entre construção curta e bolas longas de Jordan Pickford para acelerar o ataque e reduzir exposição à pressão adversária.
- Assimetria pelos lados: pelo flanco esquerdo, Iliman Ndiaye fecha por dentro e libera Mykolenko para a ultrapassagem; pelo direito, Jack Harrison mantém amplitude enquanto Jake O’Brien recua e forma linha de três.
- Pressão situacional: bloco médio em 4-4-2 que pode evoluir para 5-2-3 ou pressão alta com encaixes individuais, dependendo do adversário.
Raio-X da campanha sob Moyes
- Pontuação: o Everton somou quase o dobro de pontos por jogo em relação ao período pré-janeiro, saltando para a 8ª posição.
- Defesa: a equipe é a quarta que menos sofreu gols na liga desde a chegada de Moyes, segundo dados da Premier League.
- Ataque aéreo: liderança em cruzamentos certos por 90 minutos entre as equipes da metade superior da tabela, reflexo da ocupação de área com quatro ou cinco atletas.
- Pickford: top-3 em lançamentos longos completos entre goleiros, potencializando a filosofia de transição rápida.
O que muda no planejamento de mercado
Com a provável extensão contratual, Moyes deverá influenciar diretamente as prioridades de reforços. A tendência é:
- Buscar um zagueiro destro para manter a saída em 3+2 sem sobrecarregar James Tarkowski.
- Adicionar profundidade ao meio-campo visando reposição física, já que Amadou Onana é alvo de grandes clubes europeus.
- Contratar mais um ponta canhoto para disputar espaço com Harrison e sustentar o alto volume de cruzamentos.
Próximos passos na corrida por vaga europeia
Restam oito rodadas e o Everton encara confrontos diretos contra Tottenham e Newcastle, ambos dentro do G-6. Manter o aproveitamento atual (1,8 ponto/jogo sob Moyes) projeta 61 pontos ao fim do campeonato — pontuação que, historicamente, costuma garantir ao menos a Europa League. A renovação, portanto, não é apenas simbólica, mas estratégica para dar continuidade a um modelo que voltou a viabilizar sonhos europeus em Goodison Park.
Imagem: IMAGO
Conclusão Prospectiva: Se o acordo for oficializado logo após o término da temporada, Moyes terá a pré-temporada completa para reforçar conceitos, integrar novos atletas e preparar o Everton para um calendário potencialmente continental em 2026/27. O desempenho nas próximas semanas ditará não só a vaga na Europa, mas também o orçamento disponível para transformar essa boa fase em projeto de longo prazo.
Com informações de Trivela