Zurique (SUI), 14/06/2026 – A FIFA confirmou que distribuirá US$ 355 milhões entre os clubes que cederem jogadores às seleções na Copa do Mundo de 2026 e, pela primeira vez, também nas Eliminatórias rumo ao torneio. O novo modelo, detalhado em circular da entidade, redefine a compensação financeira ao contemplar todos os dias em que o atleta permanece com a seleção, do embarque ao retorno, e inaugura pagamentos já na fase classificatória.
Por dentro do novo programa de repasses da FIFA
O pacote de US$ 355 milhões cobre as edições de 2026 e 2030. Para o ciclo atual, o montante foi dividido em dois blocos:
- Eliminatórias: até US$ 100 milhões, com compensação estimada em US$ 2.362 por jogador a cada jogo disputado.
- Fase final da Copa: até US$ 250 milhões, com valor mínimo de US$ 5.000 por atleta a cada dia em que a seleção permanecer ativa no torneio.
- Os US$ 5 milhões restantes cobrem custos administrativos do programa.
O cálculo diário considera não apenas as datas das partidas, mas todo o período de concentração. Assim, um clube continua sendo remunerado mesmo em dias sem jogo oficial.
Quanto mais longe a seleção for, maior o cheque
O mecanismo cria uma “escada” de receitas: clubes que perderem atletas eliminados na fase de grupos receberão menos do que aqueles cujos jogadores alcancem quartas, semifinais ou final. A diferença pode superar 30 dias extras de pagamento, o que eleva substancialmente o valor total.
Raio-X dos valores
- Pagamento mínimo por atleta (fase final): US$ 5.000/dia.
- Média de dias de permanência na última Copa*: 26 dias para finalistas, 13 dias para quem parou na fase de grupos.
- Receita projetada por atleta finalista*: 26 × US$ 5.000 = US$ 130.000.
- Receita projetada por atleta eliminado na 1ª fase*: 13 × US$ 5.000 = US$ 65.000.
- *estimativas considerando agenda de 2022; o calendário de 2026 poderá variar.
Impacto para clubes brasileiros – o caso do Grêmio
Times de receita intermediária, como o Grêmio, tendem a sentir o efeito de forma mais intensa do que gigantes europeus. Jogadores que já defenderam suas seleções nas Eliminatórias – casos recentes de Mathías Villasanti (Paraguai), Rodrigo Ely (Chile), Cristian Olivera (Uruguai) e outros – entram automaticamente na conta. Cada partida desses atletas já gera cerca de US$ 2,3 mil ao clube, valor que se acumula ao longo do ciclo.
No cenário de 2026, a projeção gremista indica um reforço de caixa relevante para o segundo semestre, período em que a diretoria costuma intensificar negócios de mercado. Em 2022, por exemplo, o custo médio de uma contratação no clube girou em torno de R$ 6,5 milhões; a compensação da FIFA pode representar até 15 % dessa cifra em uma única Copa, funcionando como alívio de fluxo.
Imagem: Internet
E se o jogador se machucar?
O Programa de Proteção a Clubes permanece ativo. Caso o atleta se lesione durante a convocação, a FIFA reembolsa o salário fixo – até um teto diário e por período máximo determinado. Embora não cubra integralmente despesas médicas ou o impacto esportivo da ausência, o mecanismo reduz o risco financeiro de liberar o jogador.
Checklist: o que o departamento jurídico deve fazer agora
- Conferir o registro de cada atleta convocado na plataforma FIFA.
- Providenciar documentos de transferência ou empréstimo para evitar erros de atribuição.
- Acompanhar relatórios pós-jogo das Eliminatórias para garantir que minutos em campo sejam contabilizados.
- Planejar a utilização do repasse, que só é liberado após o término da Copa.
Próximos passos: Com um Mundial expandido para 48 seleções e agenda de Eliminatórias mais longa, a tendência é que o número de jogadores convocados a partir do futebol brasileiro cresça. Isso eleva a fatia potencial destinada aos clubes do país e pode influenciar decisões sobre manutenção ou venda de atletas antes de 2026. Quem gerenciar bem esses dados transformará convocações em uma receita recorrente e previsível, reforçando o planejamento financeiro das próximas temporadas.
Com informações de Portal do Gremista